Morre o jornalista Audálio Dantas

O jornalista Audálio Dantas, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), morreu na tarde desta quarta-feira (30), na capital paulista, aos 88 anos, vítima de câncer.

O velório ocorre até às 11h desta quinta-feira (31) no Hospital Premier (Av. Jurubatuba nº 481 – Vila Cordeiro), na zona sul paulistana, e, das 12h às 18h, no auditório Vladimir Herzog, sede do SJSP (Rua Rego Freitas nº 530 – Sobreloja – Vila Buarque), na região central. A cremação será no Cemitério Vila Alpina em cerimônia às 20h deste 31 de maio.

Alagoano nascido em Tanque D’Arca, em 8 de julho de 1929, Audálio presidiu o Sindicato entre 1975 e 1978. Foi responsável não só pela retomada da direção da entidade fazendo oposição à ditadura civil-militar, como enfrentou o regime reforçando a denúncia do “suicídio” do jornalista Vladimir Herzog, forjado pelos agentes da repressão na tentativa de esconder o assassinato de Vlado sob tortura, em 1975, nos porões do Doi-Codi.

A partir da morte de Herzog, Audálio fez surgir o movimento que despertou e fortaleceu a sociedade brasileira para derrubada do regime militar.

Engajado na profissão e sensível às questões sociais

Como sindicalista, foi quem reivindicou a reposição salarial para cerca de 10 mil jornalistas de São Paulo, prejudicados pelos dados falsos da inflação divulgada pelos militares na década de 1980, o que abriu caminho para o mesmo embate por outras categorias, como o movimento operário dos metalúrgicos do ABC.

Depois de deixar a direção do SJSP, foi eleito deputado federal pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Audálio também presidiu a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em 1983, o primeiro eleito por voto direto na entidade.

Na eleição da Fenaj de 2016, ainda foi eleito pela categoria para a Comissão Nacional de Ética da Federação.

Nas mais de seis décadas dedicadas ao jornalismo, ele trabalhou nos principais veículos do país, entre os quais a revista Realidade, numa carreira vasta e intensa, dentro e fora das redações.

Com um seu olhar generoso às causas sociais, em 1981 foi premiado pela Organização das Nações Unidas por sua luta aguerrida pelos direitos humanos, entre outras inúmeras premiações que recebeu por sua dedicação profissional.

Foi graças à sensibilidade do repórter que o mundo descobriu, na década de 1960, o livro “Quarto de despejo”, da escritora negra Carolina Maria de Jesus, moradora da favela paulistana do Canindé e catadora de lixo que teve sua obra traduzida para mais de dez idiomas.

Há um ano, o jornalista foi homenageado em seu aniversário com comemoração que lotou o auditório Vladimir Herzog. Na ocasião, recebeu o Troféu Indignação-Coragem-Esperança, uma iniciativa da Agência Sindical, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e da Oboré Projetos Especiais, com apoio do SJSP, da Fenaj e do Instituto Vladimir Herzog, entre outras entidades.

Também escritor, transformou algumas de suas grandes reportagens em livros. Entre outras publicações, lançou, em 2012, “As duas guerras de Vlado Herzog: da perseguição nazista na Europa à morte sob tortura no Brasil”, obra ganhadora do Prêmio Jabuti no ano seguinte.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo