Enio Verri: Nada a comemorar no 1º de Maio

O deputado Enio Verri (PT-PR) afirma que, definitivamente, não há o que comemorar neste 1º de Maio de 2018. Ele enumera os golpes que os trabalhadores sofreram com o fim da CLT, terceirizações, diminuição de salários e aumento de desemprego, trabalho intermitente e insalubres para as gestantes, etc. Para ele, trata-se de um ‘atraso civilizatório’ vivido no Brasil.

Nada a comemorar

O 1º de Maio deste ano é o mais crítico da história da classe trabalhadora brasileira. Desde o golpe de 2016, ela foi exposta a uma série de desmontes de direitos conquistados com o suor e o sangue dos seus antecessores. Conquistas com menos de 80 anos foram desfiguradas em mais de 100 artigos. Há proposições que revelam a mentalidade feudal de alguns parlamentares, devido ao atraso civilizatório proposto, como o de permitir que gestantes trabalhem em lugares insalubres, ou o de cobrar do trabalhador uma multa por ausência em audiência.

Isso demonstra o quanto o Judiciário casa-grande é dissociado da senzala. O golpe de 2016, institucionalmente atrasado, implantou a reforma trabalhista com o apoio do Tribunal Superior do Trabalho. O Judiciário brasileiro não conhece o Brasil. Foi estudar na Europa e tem ojeriza desta terra. Serve-se dela apenas quando tem algum interesse na causa. Enquanto que, na Alemanha, em 2017, os trabalhadores conquistaram redução da carga horária e aumento salarial, os brasileiros perderam um sem número de contrapesos ao lucro auferido pelo patrão em relação ao ganho salarial do trabalhador.

A nocividade da modalidade de contratação por terceirização vai muito além da perda de direitos dos trabalhadores. As relações contratuais se fragilizam e as condições de trabalho se precarizam. A Justiça Trabalhista é plena de casos de empresas de prestação de serviços gerais, que fecham suas portas e as reabrem com novas contratações, sem cumprir com os haveres da contratação passada, mantendo os trabalhadores em uma roda vida de trabalho infinita, tirando deles a condição de planejar sua renda e seu merecido descanso, em férias, por exemplo.

A terceirização da atividade fim é um fenômeno que afeta toda a sociedade. A precarização das contratações não garante profissionais e condições dignas de trabalho. É uma modalidade de contratação que abarrota as estatísticas de acidentes de trabalho. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no Brasil, a cada 10 mortes por acidente de trabalho, oito envolvem profissionais terceirizados. E isso ocorrerá em hospitais, escolas, ou plataformas de petróleo. A camarilha Temer retrocedeu os direitos trabalhistas há quase um século.

O trabalho intermitente é outro crime cometido senhores feudais que governam este País. A modalidade suprime definitivamente toda e qualquer garantia trabalhista, além de atentar contra a Previdência. Segundo a contratação, caso o trabalhador não aufira ao menos um salário mínimo, ele terá de recolher para a Previdência. É uma forma de as empresas dizerem aos trabalhadores que eles não trabalharam o bastante. O trabalhador vai colocar o recolhimento ao INSS na lista de prioridades que ele tem, como, comer, morar, se transportar, estudar, etc. É uma forma de falir a Previdência.

Definitivamente não há o que comemorar neste 1º de Maio de 2018. O Partido dos Trabalhadores criou cerca de 20 milhões de empregos formais com os mesmos direitos que Temer e seu bando destruíram. O dia de hoje tem o simbólico de ser decisivo para o enfrentamento à acelerada supressão do Estado Democrático de Direito. Somente com mobilizações mais contundentes, em todo o Brasil, é que conseguiremos chamar a atenção, não apenas da adormecida opinião pública, mas também dos grupos que deram o golpe de 2016 e mostrar que o Brasil figura negativamente no plano internacional.

A população precisa compreender definitivamente que a perseguição ao Lula é apenas um dos elementos de um golpe que está massacrando mais de 85% da população. A sua prisão ou a liberdade não exclui os planos nefastos que a elite mais brejeira do mundo tem para o Brasil. Somente a união dos trabalhadores será possível evitar que o País se torne definitivamente um quintal dos interesses das nações centro de poder. Quem produz as riquezas desta nação deve saber que a defesa da soberania está ao seu encargo, pois não é possível esperar nada da elite, a não ser a mais sabuja vassalagem.

*Enio Verri é deputado federal pelo PT do Paraná.

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