É vital enfrentar o autoritarismo

O deputado Enio Verri (PT-PR) não tem dúvidas de que vivemos numa ditadura de um judiciário de primeira instância, protegida pela maior e mais nefasta rede de televisão do País — a Globo. Ao referir-se às proibições de visitas a Lula, Enio disse esperar que a juíza Carolina Lebbos, da Justiça Federal do Paraná, não afronte hoje (24) a Comissão Externa da Câmara dos Deputados.

É vital enfrentar o autoritarismo

Enio Verri*

A conjuntura política brasileira domina a cena nacional. Não por virtudes, mas por vícios inadmissíveis para uma sociedade que se pretende progressista e por um Estado democrático e justo. A consolidação da condição do ex-presidente Lula como preso político se dá em proporção inversa ao intenso processo de desmoralização das acusações contra ele e no mesmo crescente do autoritarismo do governo contra os que pretendem e têm o direito de visitá-lo. Vivemos a ditadura de um judiciário de primeira instância, protegida pela maior e mais nefasta rede de televisão do País, para que se passe por cima das leis em benefício da mais atrasada e entreguista das elites do mundo, a brasileira.

Uma juíza de piso resolveu que, a sua jurisdição pode, impunemente, afrontar um tratado internacional e impedir o Nobel da Paz, de 1980, Adolfo Perez Esquivel, de visitar o estabelecimento prisional onde se encontra Lula. As atitudes dos dois reforçam a condição do ex-presidente. Esta mesma juíza impediu o Teólogo Leonardo Boff, a presidenta da República, Dilma Rousseff, a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, dentre outras pessoas de visitarem Lula. Espera-se que ela não afronte a Comissão Externa da Câmara dos Deputados que o visitará, hoje.

A mais recente notícia é a de que a Polícia Federal pede para que Lula seja transferido, e não se informa para onde. Isso é o desconforto por ter atraído os holofotes do mundo. Os órgãos de fiscalização e controle já tinham problemas em manter preso um acusado sem prova de cometimento de crime algum. Depois das revelações da ocupação do MTST e da Frente Povo Sem Medo, de uma reforma que nunca houve, tentar isolar um injustiçado que é líder absoluto nas pesquisas de intenção de votos, deve estar causando muito estresse na unidade da Polícia Federal.

As imagens da ocupação estão correndo o mundo e desmoralizando ainda mais a Operação Lava Jato, como um todo. Os capítulos da operação já entraram na ordem do dia de alguns jornais internacionais, cuja leitura é a de perseguição política a Lula. Universidades dos EUA, Espanha, França, Itália, Uruguai, Argentina, abriram espaço para autoridades brasileiras denunciaram o golpe de Estado de 2016 e a perseguição ao ex-presidente. Os últimos acontecimentos deixam claro que se trata de uma farsa e a não libertação de Lula, até o momento, é mais um claro sinal de que as instituições não estão em pleno funcionamento.

A razão é para manter Lula fora da disputa eleitoral. Os que o querem fora sabem que vão perder no voto. O estado de coisas reforça a impressão de que o autoritarismo tende a crescer para impedir, ainda que diante de flagrante injustiça, a libertação do ex-presidente. Com ele fora da disputa, as chances de o mercado eleger um candidato comprometido com a sua ideologia liberal são maiores. Lula é o tormento da elite Casa Grande. Ela sabe que sua volta significa não apenas um projeto de País para todos, mas também será o fim da farra de liquidação do patrimônio brasileiro.

Os movimentos da ditadura tendem para esse quadro. A instabilidade política brasileira está à beira de jogar o País em uma conflagração nacional, na qual perderão os 85% da população que não estão ganhando absolutamente nada com o golpe de 2016. São justamente as pessoas mais prejudicadas pela EC95, pela reforma trabalhista e serão as mais prejudicadas com a reforma da Previdência, que a camarilha Temer quer aprovar em novembro, depois das eleições.

A cena que se forma é a prisão de Lula, a criminalização do Partido dos Trabalhadores e a entrega da soberania nacional aos interesses de nações centro de poder, como EUA e China. Não há outra saída para quem enxerga a consolidação do golpe senão as ruas, em completa desobediência civil. As frentes de batalha são muitas e grandes, mas o povo é a imensa maioria. Engajar-se em alguma frende de luta é fundamental para o enfrentamento ao autoritarismo e à injustiça. A truculência já não faz questão de disfarçar e é preciso denunciá-la nas ruas.

*Enio Verri é deputado federal pelo PT do Paraná.

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