Assassinato de Marielle abala intervenção militar no Rio e tem forte repercussão no exterior

O brutal assassinato da ativista social e vereadora, Marielle Franco, é o assunto mais comentado nas redes sociais e despertou forte questionamento na política de segurança adotada no Rio de Janeiro, com a intervenção militar decretada pelo governo golpista de Temer. Atos de protestos estão programados em todo o país e até no exterior no dia de hoje.  A imprensa internacional destacou o fato, com ênfase no resultado da ação das forças de segurança, questionando a atuação dos efetivos militares que diante de um constante “fogo cruzado” trazem um maior risco para a população das comunidades afetadas pelas operações.

O duplo assassinato cometido na noite de quarta-feira (14), indica uma operação planejada que coloca em xeque a intervenção militar, bastante desgastada com os pífios resultados e o crescimento da onda de violência nos últimos dias.

O jornalista Luiz Nassif, em seu blog,  diz que os “os tiros que a atingiram miraram diretamente o interventor militar. Em suas primeiras entrevistas, o interventor, general Souza Braga, aparentava ser uma pessoa de bom senso. Impediu o showbiz da mídia, não fez desfiles de tanques na avenida Rio Branco, alertou que ocupação de território não funcionava, que o essencial seria a unificação das ações policiais com a supervisão militar”.

No entanto, acrescenta Nassif, “a polícia e o exército passaram a praticar a identificação invasiva de pessoas, a invasão de casas e outros procedimentos de exceção – que são regras para as populações mais pobres. Exigiram tribunal militar para crimes de militares contra civis, anunciaram que não haveria comissão da verdade nas favelas – e Marielle trabalhava justamente na montagem dessa comissão”.

Os fatos são reveladores dos limites de uma política de intervenção baseada somente em ações repressivas, que transformaram o Exército Nacional numa força de ocupação policial em territórios densamente povoados e sem um alvo específico. Especialistas têm alertado para os riscos institucionais do envolvimento do Exército em operações policiais dessa natureza, alguns apontaram até para o exemplo do México, onde o Exército daquele país foi transformado em força policial de natureza interna, o que se  convencionou chamar de “Mexicanização” da política de segurança.

As pressões sobre o governo brasileiro tendem a crescer, exigindo o respeito aos direitos humanos e a preservação do Estado de Direito. A continuidade da espiral de violência pode levar a uma guerra sem fim no Rio de Janeiro.

Enquanto a barbárie ocorrida no Rio comove e indigna o país, juízes fazem greve para manter privilégios e prebendas descabidas, como o auxílio-moradia.

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