Por Esmael Morais

Veja, uma escola de fake news

Publicado em 01/02/2018

O jornalista Augusto Nunes, na Veja, é um aluno aplicado. Leva a sério as lições sobre como disseminar fake news — as malditas notícias falsas. A última dele foi mentir que “Lula inventou a reunião na Etiópia para escapar da cadeia”. Recuou, apagou a postagem de ontem (31) depois contestado pela direita, centro esquerda.

Isolado pela fake news (prevaleceu a tese nas redes sociais de que até na guerra é preciso o mínimo de ética), Nunes voltou atrás. Já era tarde. Ele se esqueceu de um antigo provérbio segundo qual três coisas na vida que nunca voltam atrás: “a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.”

No primeiro minuto de hoje (1º), Augusto Nunes reconheceu: “Lula falaria de fome no congresso sobre corrupção”. Mas o aluno de fake news se fez de rogado: “É verdade que Lula mente mais do que respira, mas foi de fato convidado a visitar a África para falar num dos 25 eventos ocorridos paralelamente à reunião da Cúpula da União Africana.”

O senador Roberto Requião (MDB-PR) tem uma clássica recomendação sobre a publicação da Editora Abril: “Veja, não compre. Se comprar, não leia. Se ler, não acredite. Se acreditar, relinche.”

Abaixo a fake news (apagada) de Augusto Nunes, o bom aluno de Veja:

Lula inventou a reunião na Etiópia para escapar da cadeia

Impedido de decolar rumo a Adis Abeba pelo confisco do passaporte, Lula gravou uma mensagem em vídeo aos participantes do congresso sobre a fome promovido na capital da Etiópia por um órgão da ONU. Entre outras demonstrações de que mente mais do que respira, o ex-presidente fantasiou-se de perseguido político e lamentou a perda da oportunidade de mostrar como fez para que acabasse no Brasil a fome que continua.

Nesta quarta-feira, em sua coluna na internet, o jornalista Carlos Brickmann informou que Lula antecipou para janeiro, e transferiu para outro país, um encontro que ocorrerá no fim de Janeiro em Cartum, no Sudão. Neste instante, a Etiópia não tem nenhum congresso do gênero em andamento. Também não tem nenhum acordo com o Brasil que permita a extradição de condenados foragidos.

Para quem pretende escapar da cadeia, é um dos países mais acolhedores do planeta.