PT reafirma que intervenção político-militar “é contra os pobres” do Rio de Janeiro

Publicado em 21 fevereiro, 2018
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As bancadas do PT na Câmara e do Senado não têm dúvidas de que a intervenção político-militar no Rio de Janeiro, empreendida por Michel Temer, é contra os pobres e negros que vivem nos morros cariocas. E mais: o ex-presidente Lula disse hoje (21), em Minas Gerais, que o objetivo do emedebista é roubar os votos do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

Os parlamentares petistas não têm papas na língua ao denunciar que se trata de uma intervenção “tabajara” aprovada pelo Congresso Nacional, que segue submisso ao golpe e a Temer.

Nas sessões de ontem (20), na Câmara e no Senado, a oposição denunciou a falta de planejamento da medida, a ausência de previsão de recursos, o equívoco do conceito de segurança e a perigosa exposição das Forças Armadas em ação para a qual não têm preparo.

A maioria dos senadores e dos deputados que usou a palavra alertou para o quadro de violência nos demais estados, apontando para a necessidade de uma política mais ampla para enfrentar a situação.

“Essa crise de segurança pública no País é fruto dessa política econômica de austeridade fiscal; é o Estado mínimo do mínimo”, denunciou o senador e líder da Bancada do PT, Lindbergh Farias (RJ). O senador fluminense citou o orçamento de transferência para os estados do Ministério da Justiça e Segurança Pública que caiu de R$ 2,6 bilhões, em 2016, para R$ 760 milhões.

Lindbergh também destacou o abandono do Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras) que sofreu um corte de 276 milhões, em 2017, para 132 milhões. “O que eles estão fazendo? Tirando homens das Forças Armadas das fronteiras para ser polícia interna. Isso não sério”.

“A intervenção não pode se dar como está se dando agora. Não é papel das Forças Armadas fazer policiamento. As Forças Armadas são preparadas para a guerra. Os meninos que vão subir o morro não têm experiência”, advertiu a senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidenta nacional do PT.

“O que vamos fazer com os outros Estados da Federação? Ou será que o Rio de Janeiro é o que coloca os índices mais críticos de segurança? Qual é o critério que os senhores usaram para a intervenção no Rio de Janeiro? Critério sério é que não foi, porque, se fosse, nós teríamos outros estados que mereceriam”, cobrou ela.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), líder da Oposição, “não se trata de discutir se é intervenção ou não. Trata-se de discutir se o que está havendo é uma ação para melhorar a segurança pública e olhar para as pessoas ou se é uma jogada de marketing vagabunda”.

“Essa operação, essa intervenção é uma intervenção tabajara, feita por pessoas incompetentes que estão querendo utilizar politicamente uma das últimas instituições que têm credibilidade no Brasil, que são as Forças Armadas”, alertou o senador Humberto Costa, defendendo a criação de um sistema único de Segurança Pública.

“O meu partido, o PT, quer construir medidas que possam, de fato, trazer a paz e a tranquilidade para a sociedade brasileira e punir o crime”, deixou claro o senador Jorge Viana (PT-AC), encaminhando o voto “não” do partido. Viana lembrou que, em outubro passado, após encontro no Acre, por iniciativa do governo do estado, 23 governadores, o ministro da Defesa, o ministro da Justiça e o ministro encarregado da institucionalidade no Palácio do Planalto, aprovaram um plano nacional de combate à violência. As medidas criam uma força-tarefa, reunindo todos os entes da Federação, para combater o tráfico de armas e de drogas na fronteira.

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