O judiciário está nu!

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“Toda nudez será castigada”, premonizou certa feita o dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues. De repente, não mais que de repente, não é que o judiciário ‘ficou nu’ e precisa se explicar à opinião pública –ou seria opinião publicada? — sobre privilégios e prebendas?

Equivoca-se quem acha que a reação a juízes e procuradores tem relação com salários. Essa polêmica é falsa tal qual uma nota de três reais. “… a crítica cega contra a remuneração da magistratura é pré-jurídica e conspira contra o Estado de Direito”, afirma o juiz Federal no Recife (PE) Roberto Wanderley Nogueira. Esta é uma visão corporativa da coisa, que não vê o todo.

O judiciário brasileiro virou vítima de uma narrativa que ajudou a construir ao lado da velha mídia, que é do falso moralismo, udenista, para chancelar o golpe de Estado de 2016. Comprou o fetiche do combate à corrupção como se fosse a bandeira prioritária do país, ao invés do desenvolvimento e do pleno emprego, do consumo e da inclusão social, do acesso à saúde e à educação, dos direitos trabalhistas e à previdência pública.

Não se retira impunemente direitos do povo. Não se derruba impunemente uma presidente da República eleita pelo voto livre e democrático. Não se barra impunemente o direito de o ex-presidente Lula disputar a eleição deste ano.

A situação do judiciário verde e amarelo lembra muito a fábula “O Rei está Nu”, do dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875), segunda qual um rei que desfilava peladão pelas ruas, mas como ele era muito poderoso, ninguém tinha coragem de abrir o bico. Todos fingiam enxergar vistosos trajes de seda e brocados cobertos de ouro e pedras preciosas.

Na fábula, coube a uma criança inocente gritar que o rei estava nu e, logo depois, a multidão começou a admitir que também enxergava o soberano peladão da Silva.

O Judiciário está nu! Mas esta nudez será castigada pela História…