Lula solto, mas inelegível. É a fórmula de Gilmar Mendes e do consórcio golpista

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O Blog do Esmael registrou ao menos oito horas antes do anúncio oficial, nesta sexta (2), que a defesa de Lula iria ingressar com um habeas corpus no STF. Também folgou antecipar o placar de 3 votos a 2 favoráveis a Lula, no caso da prisão antecipada na condenação em segunda instância. No entanto, o petista não encontrará refresco em relação ao TSE, que tende a enquadrá-lo na Lei da Ficha Limpa, isto é, torná-lo inelegível.

Se o leitor puxar pela memória ou clicar aqui recordará que a decisão do ministro Humberto Martins, do STJ, ao decidir outro habeas corpus, afirmou que “O fundado receio de ilegal constrangimento e a possibilidade de imediata prisão não parecem presentes.” Na prática, descartou a prisão imediata do ex-presidente e deixou a “decisão política” da candidatura para o TSE.

O habeas corpus impetrado ontem por Lula no STF tem o condão de forçar a revisão da prisão em segunda instância. Embora o ex-presidente tenha sido condenado no TRF4, tribunal de 2º grau, a mudança jurisprudencial atende mais aos “anseios” de tucanos e golpista (os Cunha da vida) do que o petista. A mídia tentará pendurar essa fatura no pescoço do PT.

O ministro Gilmar Mendes do STF, ao deixar a presidência do TSE, deu a manchete do que vai acontecer em entrevista à Globo: “… o Supremo já consagrou a ideia de que a decisão em relação a Lei da Ficha Limpa é de que ela é constitucional”, voltando atrás do que ele entendia há menos de dois anos. Afinal, o “paciente” é Lula.

O STF e STJ trabalham sincronizados com o golpe de Estado em curso. Eles são cartesianos, matematicamente previsíveis no “toma-lá-dá-cá” que desenvolveram em conluio com a mídia. A pancadaria do auxílio-moradia, por exemplo, não é mais do que uma sacudida para ajeitar as melancias na carroça. Ambos, mídia e judiciário, continuam juntos no objetivo estratégico de tirar Lula da disputa presidencial de outubro. O Instituto Millenium, que coordena a sacanagem dos barões da mídia, apenas quer deixar claro quem manda na relação.

O establishment pretende um “acordão” já relatado aqui no Blog do Esmael e também percebido dois dias depois pelo jornal espanhol El País, que concordou com a fórmula trabalhada “Lula solto, mas inelegível.”

Evidentemente que essa solução resolveria o problema do consórcio golpista jurídico-midiático-financeiro, mas aprofundaria a escravização do povo brasileiro. Resta saber se o PT topará ou não essa putaria armada.