“TRF4 pode ter criado um lulismo mais radical com condenação do ex-presidente”, diz historiador

O historiador Lincoln Secco, professor da Universidade São Paulo e pesquisador da história do PT, acredita que a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo TRF4, na semana passada, pode ter criado um lulismo mais radical, sem Lula e sem o PT, como é o peronismo na Argentina.

Em entrevista ao espanhol El País, Secco disse que a percepção do povo é que Lula foi perseguido pelo judiciário.

“As cenas do julgamento são simbólicas. É possível que os juízes tenham contribuído para consolidar o mito Lula por uma ou duas gerações e venhamos a ter um lulismo mais radical sem Lula e até sem essa atual direção do PT, como foi o peronismo depois de proibido oficialmente na Argentina.”

O historiador afirma que ao PT só resta pensar na substituição dele para garantir uma votação suficiente para sobreviver institucionalmente e, num outro ciclo da história, reconstruir suas bases de apoio.

Lincoln Secco não crê que Lula apontará o ex-governador da Bahia Jaques Vagner ou o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad para substituí-lo na eleição presidencial. Segundo o pesquisador da história do PT, o ex-presidente pode surpreender ou indicando a senadora Gleisi Hoffmann ou outro nome que tire da manga.

“É muito difícil imaginar um apoio ao Ciro Gomes, especialmente depois da hesitação dele em apoiar o Lula diante do julgamento. Ficou muito claro que o Ciro Gomes, este sim, torce quase que explicitamente para que o Lula não seja candidato, já que ele seria diretamente beneficiado por isso. O PT terá outro candidato”, analisou, ao lembrar que os petistas não têm tradição de apoiar candidatos de outros partidos.

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