Por Esmael Morais

“Lava jato” mira sindicatos na Argentina

Publicado em 18/01/2018

Conta o espanhol El País que a “lava jato” da Argentina está prendendo sindicalistas. A operação contra entidades sindicais ocorre em meio à luta dos trabalhadores contra a reforma trabalhista do governo Mauricio Macri.

Evidentemente que lá e cá deve existir supostos desvios no meio sindical, mas a ideia do regime “cambista” de Macri ao generalizar casos de corrupção é quebrar a espinha dorsal das entidades sindicais que resistem à agenda neoliberal. Nesse projeto, tal qual no Brasil, a “lava jato” é a conditio sine qua non para o êxito dessa criminalização e a consequente retirada de direitos trabalhistas.

De acordo com a reportagem do El País, o governo Macri jura que não tem nada a ver com as prisões de líderes sindicais.

“Não temos uma atitude de perseguição. Atuamos quando a Justiça pede nossa intervenção porque somos responsáveis e fazemos o que a lei estabelece. Não há nenhuma vontade de ir atrás deste ou daquele, como não há essa vontade na órbita política ou judicial”, disse o ministro do Trabalho Jorge Triaca. O argumento oficial não convenceu todo mundo e colocou de sobreaviso alguns líderes sindicais, mesmo entre os considerados favoráveis ao diálogo pelo Governo de Mauricio Macri.

Se por um lado o Brasil exportou a “lava jato” para a política da Argentina –vide a perseguição política à ex-presidenta e agora senadora Cristina Kirchner –, por outro tende a importar o modelo de repressão às centrais sindicais. É a nova “Operação Condor” cuja cooperação entre as ditaduras argentina e brasileira vigorou nos anos 70 e 80.

Os sindicalistas argentinos advertem o governo dizendo que ele está pisando o rabo do leão. “Os sindicatos foram atacados pelos militares, por [Raúl] Alfonsín (1983-1989) e [Fernando] De la Rúa (1999-2001) e não terminaram seus mandatos”.

Trocando em miúdos, após ajustar as contas com o ex-presidente Lula, tirando-o da disputa presidencial deste ano, a lava jato brasileira deverá perseguir sindicalistas com forte apoio da mídia. Essas centrais poderão se tornar presa fácil à criminalização no Brasil porque, a maioria delas, atua corporativamente com pouco ou quase nenhuma relação com a sociedade.

Na Argentina, Macri não poupa nem os “pelegos” que afrouxaram a oposição às reformas que prejudicam os trabalhadores. Fica a dica.