Evasão escolar e criminalidade de mãos dadas

O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB) escreve sobre a relação entre a evasão escolar o os índices de criminalidade na juventude. O articulista cita estudo do sociólogo Marcos Rolim o qual aponta a evasão escolar como raiz da violência extrema no Brasil e que a prevenção da criminalidade deve levar em conta a permanência da juventude no ambiente de ensino.

Evasão escolar e criminalidade andam de mãos dadas

Luiz Claudio Romanelli*

“O mestre disse: Por natureza, os homens são próximos; a educação é que os afasta” Confúcio

No recesso da Assembleia Legislativa e nos feriados do final do ano, fiquei uns dias na praia com a família. Aproveitei para relaxar e também para colocar a leitura em dia. Li e recomendo a leitura do livro “A Formação de Jovens Violentos – Estudo sobre a Etiologia da Violência Extrema”, do sociólogo gaúcho Marcos Rolim.

Na obra, ele investiga as raízes da violência urbana e como é possível que em dois grupos de jovens de idade semelhante, pobres e criados na mesma região, um grupo vira trabalhador e outro grupo vira bandido.

Ele entrevistou um grupo de jovens violentos de 16 a 20 anos que cumpriam pena na Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul. E pediu a esses jovens que indicassem um colega de infância sem ligação com o crime.

Todos os jovens que cumpriam medidas sócio educativas haviam largado a escola entre 11 e 12 anos e a partir daí, na rua, se aproximado de grupos de marginais. Já os outros colegas de infância continuavam estudando.

A conclusão do sociólogo é que a evasão escolar está na raiz da violência extrema no Brasil e que a prevenção da criminalidade deve levar em conta a redução da evasão escolar no país.

Motivado pela leitura do livro, procurei por mais dados sobre a evasão escolar no Brasil e encontrei o boletim Aprendizagem em foco, da Fundação Unibanco. Descobri que de acordo com o relatório “Cenário da exclusão escolar no Brasil”, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância e Adolescência (Unicef), no ano passado, existem no país 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola. Desse total, 57% (1,6 milhão) são jovens entre 15 e 17 anos.

Os dados revelam que a maioria dos estudantes abandona a escola antes mesmo de completar o ensino fundamental. Dos que ingressam no ensino médio, um percentual expressivo não consegue avançar e desiste. Segundo o Censo Escolar 2015, de cada 100 alunos dessa etapa, 12 são reprovados e oito abandonam a escola.

Um levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgado no ano passado, com base em dados sobre evasão escolar de 2015 revelou que 11,2% dos matriculados no ensino médio abandonavam os estudos antes de se formarem. Entre os estados, o Pará tem a maior taxa de abandono, com 16%. O Paraná tem um dos menores índices, de 9%.

No nosso estado, funciona o Programa de Combate ao Abandono Escolar, um plano de ação destinado a combater a evasão. Se o estudante tiver cinco faltas/dias consecutivos ou sete alternados, a escola atua em conjunto com a rede de proteção à criança e ao adolescente, para evitar que essas faltas se efetivem como evasão escolar.

Sempre que posso, visito as escolas públicas dos municípios que represento na Alep. E posso afirmar, sem sombra de dúvida, que diretores e professores comprometidos fazem toda a diferença. As melhores escolas são as que investem na aproximação com a comunidade, têm uma equipe unida e determinada e que faz o acompanhamento dos jovens problemáticos. É preciso dar voz aos alunos, fazer com que tenham uma relação de pertencimento e se sintam acolhidos no ambiente escolar.

Não existem receitas prontas para combater a evasão escolar, assim como não há um modelo para evitar o envolvimento dos jovens que deixam a escola com a criminalidade.

Mas é certo que os governos precisam oferecer alternativas que permitam aos jovens permanecer na escola. Acredito que um dos caminhos é a oferta de cursos profissionalizantes na rede pública e a busca pelo engajamento dos empresários em programas como o Jovem Aprendiz.

Ao mesmo tempo, é preciso criar politicas públicas que permitam a inserção social e profissional de jovens infratores, antes que voltem as ruas e se tornem marginais profissionais.

Boa Semana! Paz e Bem!

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PSB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre Poder e Governo.

9 Comentários

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  1. A lei do retorno existe, Romanelli. Eu coloco nas mãos de Deus. Tudo que estão fazendo é o que Cristo não faria.

  2. Só dando muita risada… e alta…

  3. CHEGA DE ROMANELLI !!!!!!!!!!!!!! ARRRRGGGHHHH !!!!!!!!

  4. Romanelli está pondo as coisas de ponta cabeça. A violência não é uma consequência da evasão escolar. Ao contrário, a violência contra os menos favorecidos é uma das causas da evasão escolar, dado que a escola reproduz o estado de violência.

  5. É isso mesmo? O Paraná comprou vacina errada contra a dengue?

    O senhor já criticou a vacina da Sanofi contra a dengue. Mantém essa posição?
    Sem dúvida. A Sanofi embarcou na vacina errada. Primeiro porque não protege contra os quatro tipos e agora chegou-se a conclusão de que a vacina é um perigo para quem nunca teve dengue. Curiosamente, houve apenas um comprador para a vacina, o Estado do Paraná. O que ele vai fazer com essa vacina agora? Qual é a relação do governador do Estado do Paraná e o ministro da Saúde? O ministro é um político, ele não entende de saúde pública ou de vacinas.

  6. ESSE DEPUTADO DO CAMBURÃO DEVE DIZER QUANDO O SEU GOVERNADOR VAI DEVOLVER O DINHEIRO SEQUESTRADO DA PARANAPREVIDÊNCIA, E QUANDO VAI DEVOLVER O DINHEIRO GASTO EM CAMPANHAS POLÍTICAS, DA OPERAÇÃO QUADRO NEGRO?

  7. É inacreditável… o senhor deputado, após estes oito anos de catástrofes promovidas pelo seu tão “adorado” governo contra a educação paranaense, está agora, no final de seu infame mandato, tentando demonstrar preocupação, conhecimento ou alguma inteligência a respeito de como deveria ser a educação?
    Neste país, eu fico cada vez mais admirado com a cara de pau de certos políticos… Aqui no Paraná, o governador “piá de prédio”, como os nossos irmãos curitibanos costumam denominá-lo, dá um tapa na cara de cada um com aquela leva de propagandas na TV, afirmando: como foi bom o ajuste fiscal (aumento indiscriminado de impostos); como eu investi em educação (fechando escolas e arruinando diretos dos professores, sem falar no massacre). Além de tudo isso, agora aparece o deputado que foi um dos primeiros a aprovar o bombardeio na praça e todos estas perseguições contra a classe, nos dizendo que educação tem que ser assim ou assado?
    Deputado, tenho uma notícia muito triste para o senhor: o senhor não é inteligente, nem sábio, porque a primeira grande evidencia da idiotice, ou seja, da burrice, é tentar, algum tempo depois, tentar cantar uma música para contra quem se desferiu um tapa na cara.
    Faça-nos um favor: da próxima vez que o senhor for relaxar na praia (com o nosso suado dinheiro público), não leia nada, não publique nada. Fique fazendo castelinhos de areia, que o senhor ganha mais.
    Só lembrando: 2018 está aí; o povo não se esqueceu do senhor e sua careca reluzente entrando no camburão; eu não sou professor, nem funcionário público estadual; não sou afiliado ou simpatizante do PT.

  8. ….oferecer alternativas que permitam aos jovens permanecer na escola….
    É justamente o que o SEU GOVERNO não quer….Um exemplo muito simples. O corte dos projetos de contra turno, destinado as crianças em risco. O senhor deputado precisou das férias para identificar esse problema?
    Como a Sônia escreveu ..há anos que os educadores vem falando sobre isso…
    Então deixe de hipocrisia e faça alguma coisa para mudar isso…
    Só teremos Paz, quando este ser vivo que está governador sumir do mapa

  9. S. Romanelli, há anos os educadores vêm alertando sobre isso e outras coisas mais. Porém, o governo insiste no “corte de gastos”. Para o Sr. Beto Richa dinheiro que vai pra educação é gasto e não investimento. Governos como este preferem construir presídios, não escolas. Governos como este preferem desviar dinheiro que seriam para a construção de escolas, não pagar o Piso Nacional aos professores, fechar turmas, reduzir salário dos professores com contratos temporários etc, etc…… LAMENTÁVEL.