Antes de Lula, JK e Getúlio foram massacrados pela mídia por corrupção que nunca houve

O script da caçada a Lula, hoje, é parecidíssimo com aquele que tirou Juscelino Kubitschek, quando ele liderava o Ibope na disputa pela Presidência da República. O falso combate à corrupção também é o mesmo que levou Getúlio Vargas ao suicídio.

Primeiro veio o golpe militar, em 1964, depois as acusações de corrupção contra JK para justificar a violência do regime fardado. As perseguições judiciais e midiática.

A conversa era um tríplex em Ipanema, Rio, que teria sido doado ao então ex-presidente “Bossa Nova” por empreiteiros. Na época a mídia dizia que o imóvel era de JK, mas que estava no nome de um “laranja” milionário.

Os milicos suspenderam os direitos políticos em 1964 do então senador JK por 10 anos, impossibilitando sua volta ao Palácio do Planalto. Quatro anos depois, em 1968, a denúncia de corrupção foi arquivada por falta de provas. Mas o objetivo de anular politicamente o ex-presidente já tinha sido cumprido à risca.

Vamos acelerar a história…

Na esquerda, o recorte do Estadão (13 nov. 1982) atribuindo “casa de Guarujá” a Lula; na direita, recorte do Globo (24 jun. 1964) atribuindo imóvel em Ipanema a JK; ambas denúncias eram fake news da mídia.

Em 1982, portanto há 35 anos, o Estadão já tentara carimbar a testa de Lula com a fama de corrupto denunciando uma suposta “casa de Guarujá” que o metalúrgico — que ousara disputar o governo de São Paulo – seria o verdadeiro dono do imóvel.

Agora regressemos 28 anos (1982-1954).

Getúlio Vargas se suicidou em 1954 sob intenso bombardeio da mídia – liderada por Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa – que o acusara de comandar um “mar de lama” no governo. Não era verdade. Nunca houve provas de que o “pai dos pobres” tivesse se envolvido em alguma falcatrua.

Voltemos aos sombrios dias atuais, 64 anos depois do trágico desaparecimento de Vargas e 35 após a notícia falsa do Estadão.

Tal qual JK e Getúlio, Lula virou alvo de caçada comandada pelo consórcio jurídico-midiático-financeiro.

Veja só a falta de criatividade. A Globo et caterva acusa o petista de ser dono de um tríplex no Guarujá. A mesmíssima fake news de 1964 e 1982. Os golpistas somente remoçaram o conto do vigário para continuarem escravizando o povo brasileiro.

A mídia brasileira é tão tacanha quanto o capitalismo que ela representa. Não conhece risco do mercado porque, desde que surgiu, vive da subvenção estatal, embora faça o discurso liberal. É a hipocrisia em estado bruto misturada com o falso moralismo, o udenismo, cujo fetiche é o “combate à corrupção” [dos outros, que fique claro, nunca a dela mesma].

A história do Brasil é uma história recheada de golpes. A República proclamada em 1889 nada mais foi do que um golpe militar sob a espada de Marechal Deodoro da Fonseca.

Portanto, a ruptura com a Constituição Federal de 1988 e o consequente fim da 6ª República — para cínicos e pragmáticos – apenas significa que o país segue sua sina com mais um golpe. “Apenas isso”.

Restou claro que o “combate à corrupção” de Lula e do PT é o pretexto para tirá-lo da disputa presidencial deste ano para garantir a retirada de direitos (reforma trabalhista e reforma previdenciária), bem como privatizar e entregar o petróleo dos brasileiros para multinacionais estrangeiras.

Se o golpe é para ferrar o povo brasileiro, por que não lançarmos um “Movimento pela 7ª República” que leve em conta um projeto de nação soberana, sem entreguismo, de valorização do trabalho e da produção nacional?

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