Plataforma da Gazeta do Povo estimula ‘patrulhamento digital’ e abre guerra contra educadores

O gestor público Milton Alves, em artigo especial, denuncia o patrulhamento digital do blog Gazeta do Povo. Trata-se de uma plataforma a serviço da inconstitucional “escola sem partido” e de ataque aos educadores. O articulista acusa o ex-jornalão, que é ligado à seita Opus Dei, de tentar promover “censura pedagógica” nas instituições de ensino.

Plataforma da Gazeta do Povo estimula ‘patrulhamento digital’ e abre guerra contra educadores

Milton Alves*

O portal Gazeta do Povo lançou nesta semana, mas precisamente na última quarta-feira(6), uma plataforma batizada de “Monitor da Doutrinação”, que pretende receber e reunir “denúncias de doutrinação ideológica e política nas escolas e universidades do país”. Trata-se de uma opção editorial que reforça a onda conservadora em curso no país contra a liberdade de pensamento nas instituições de ensino e vem impulsionada por campanhas obscurantistas no viés do “Programa Escola sem Partido”.

A decisão da Gazeta é um aprofundamento de uma linha editorial extremista, que abraça as teses mais conservadoras e antidemocráticas de grupos políticos e empresariais atuantes na sociedade. Apesar de minoritários, esses grupos reúnem força política e material, influenciando amplos segmentos do establishment.

A cruzada da Gazeta é impulsionada por campanha obscurantista, tipo da autodenominada “Escola sem Partido”, que visa na prática intimidar e cercear a liberdade de ensino e de cátedra nas escolas e universidades do país. Ao invés do portal abrir um saudável e necessário debate sobre o sistema de ensino público e privado — avaliar suas carências, demandas, projetos de superação dos graves problemas de permanência no ensino básico, atualização da base curricular, plano de carreira dos docentes nos três níveis e política de financiamento –, a ferramenta vai estimular uma verdadeira guerra contra os educadores, incentivando uma odiosa patrulha militante e instituir, na prática, uma espécie de censura pedagógica.

A justificativa da Gazeta do Povo para a criação da plataforma reflete o pensamento de certos setores conservadores da sociedade que priorizam um enfrentamento político no campo da formação dos valores educacionais e culturais. O esquema mental desses setores, recorre em muitos aspectos, aos antigos métodos das campanhas anticomunistas das décadas de 50, 60, do século passado com a seleção de alvos e temas: no momento, são estigmatizados os professores e os projetos político-pedagógico das escolas e universidades.

O olhar enviesado dos conservadorismo enxerga nas instituições de ensino “usinas” do pensamento de esquerda, como se fossem verdadeiras fábricas de militantes e ativistas. Algo longe da realidade. Ou seja, é um preconceito ideológico tosco e primário que move a decisão editorial do veículo.

A plataforma se insere também nos marcos da orientação do “Programa Escola sem Partido”, uma campanha que visa eliminar a liberdade de pensamento no ambiente escolar a partir da prática da censura de conteúdos de ensino e do cerceamento da atuação docente.

Diversos Projetos de Lei foram apresentados em Câmaras Municipais e no Congresso Nacional [O PL apresentado pelo senador Magno Malta(PR-ES) foi arquivado no Senado] prevendo a adoção de medidas de punição aos professores que não seguirem as regras. Segundo os vários projetos de lei apresentados, avisos em murais nas classes seriam afixados para “lembrar” o educador e, ao mesmo tempo, estimular as denúncias de alunos e pais. O que vai criar um ambiente permanente de auto-censura, perseguição e denuncismo nas escolas.

Neste sentido, é preciso reafirmar, mais uma vez, a necessidade de uma ampla mobilização social em defesa da escola como lugar da fruição do conhecimento, do saber, da tolerância e da liberdade de expressão e pensamento. Por uma escola viva e plural!

*Milton Alves é gestor público e ativista social no Paraná. É autor do blog Milton Com Política

16 Comentários

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  3. Jesus: “Olha a trave do teu olho primeiro.”
    “Não julgueis para não serem julgados.”
    Aprendam, gazeteiros.

  4. Segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Direito à imagem é um direito essencial à pessoa e se trata de uma prerrogativa tão importante que é tratada na Constituição Federal, no seu artigo 5º, inciso X, que assegura inviolabilidade à honra e a imagem, dentre outros atributos, prevê o direito de indenização para a violação.
    O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também editou, em outubro de 2009, uma súmula de número 43 que trata da indenização pela publicação não autorizada da imagem de alguém. “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais”.
    Fonte: cotidianopolicial.com.br
    ecomplex.com.br; jusbrasil.com.br

  5. Além desse viés da educação pública, também estão atacando na questão da “ideologia de gênero”: eles vêm traduzindo do inglês diversos textos da American College of Pediatricians, um grupo de ódio dos EUA que usa esse nome aparentemente sério para difundir uma agenda anti-LGBT. Nada mais coerente com a guinada recente da Gazeta. Nada mais desonesto também.

    • O que há por trás dessa falácia, é uma histeria provocada por grupos que incitam o preconceito e a violência, o que seria crime. Não há incentivo algum para crianças ou adolescentes virarem nada. Uma mentira repetida se torna verdade. E isso através de psicopatas, criando um exército de burros. Seguidores do Alexandre Frota.

    • E continuam atacando. A matéria de hoje com o “Ministro…” Essa falta de informação, essa doutrina Alexandre Frota, de fazer a cabeça dos manipuláveis que vão” interferir” na escolha sexual de crianças e adolescentes, quando o objetivo é conscientizar contra a homofobia e preconceito (as consequências são terríveis, assassinato, suicídio), isso é algo muito perigoso. E o termo é “identidade” de gênero. Canalhice, não sei como a Globo (apesar de manipuladora, não apela a esse ponto) não vê isso. É todos os dias ataques, do delírio deles. Gente abjeta. Deus nos ajude,

  6. A Polícia do Pensamento já arrumou uma sede em Curitiba. O chefe da Gazeta sem Povo – o sr. O’Brien – não ia deixar na mão o Grande Irmão e seus seguidores. Depois do Monitor da doutrinação, qual pode ser a próxima campanha da Gazeta sem Povo? Provavelmente a Semana do Ódio e certamente a campanha de apoio à Tucanásia, principalmente com o lançamento da candidatura do Irmão Santo. Enquanto não chegam essas novidades, quem quiser pode ler os editoriais vibrantes escritos em Novilíngua.

  7. Será que esse jornaleco vai começar logo uma enquete pros eleitores do Bolsonaro elegerem um comunista para ser queimado no Passeio Público e uma bruxa para ser torrada no cruzeiro do cemitério Senhor do Bonfim? Esse jornaleco virou um pasquim da Idade Média. Quá! Quá! Quá!

  8. O meu filho não estava entendendo o que é “Monitor da doutrinação”. Já dei as explicações necessárias pra ele bem informar seus colegas. Monitor da doutrinação ou: inspetor cagueta, vigia X9, fiscal dedo-duro, supervisor linguarudo, puxa-saco de trairagem. Quá! Quá! Quá!

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  10. Gente louca.

  11. Um absurdo esse retorno “medievalesco”,medieval e tosco como dito no artigo.De fato, rançosos esses elementos que transpiram o fedor da mais abjeta ignorância!Contra o verdadeiro Saber,contra a Cultura Verdadeira,contra o Conhecimento Fidedigno da História Verdadeira.Esses elementos são perniciosos para a Sociedade porque fantasiados de Falsidade.Querem “ensino religioso não confessional ou confessional”?! Até o vocabulário rescende a ranço!Queremos O SABER pelo SABER!Queremos instrução autêntica ,original e verdadeira!E quem precisa de “partido” ou de “religião”…para obter O SABER, A SABEDORIA?!Esses obtusos são como “cercas de arame farpado”contra a instrução autêntica!!!

  12. Acabou-se a vida doce da mídia parasita dos cofres públicos. Seja bem vida à selva digital!