Beto Richa debocha dos paranaenses

Para o deputado Enio Verri (PT-PR), o governador Beto Richa (PSDB) é um debochado que se utiliza de truculência contra os professores no momento em que é, ainda, mais atolado na Operação Quadro Negro. O articulista se refere à ameaça de demissão de 3.500 educadores sob a acusação de participação na ocupação de mil escolas em 2016.

Beto Richa debocha dos paranaenses

Enio Verri*

O governador dá mais uma demonstração de por que é um dos mais rejeitados, cerca de 70%. A julgar pelo seu legado de perseguição aos servidores públicos e do seu comprometimento com nomes como, Quadro Negro, que tirou da educação para aplicar em campanha; Publicano, fraude no Fisco cujas cifras são estimadas na casa dos bilhões e Superagui, em que a momentânea condição de poder foi usada para alterar lei em favor próprio, é difícil imaginar que o povo paranaense lhe confie mais algum voto.

A mais recente do governador contra o seu inimigo número um, o valoroso serviço público, foi abrir sindicâncias contra 3.500 profissionais da educação. Ele os acusa de participarem, junto com estudantes do ensino básico, da ocupação de mais de mil escolas no Estado, em 2016, quando os educandos, corajosamente, protestaram contra a retrógrada MP 746, que reformou o Ensino Médio e contra a então PEC 241, atual EC 95, que congela investimentos estatais, por 20 anos.

Na política não há como ser neutro. Nesse sentido, os tucanos não escondem a ideologia truculenta da elite escravocrata. Richa reuniu-se com membros do MBL, mas se recusou a dialogar com os estudantes legitimamente entrincheirados. Depois da reunião, educandos que ocupavam o Colégio Estadual do Paraná (CEP) foram agredidos por cinco homens que se apresentaram como membros do grupo de ultradireita. Em outubro de 2016, editorial de um jornal de grande circulação no Paraná classificou os estudantes de anticívicos e chantagistas. Porém, quem se negou ao debate, foi o governador.

Richa se utiliza de truculência contra os professores, no momento em que é, ainda mais atolado na operação Quadro Negro. O ex-presidente da Fundepar, Maurício Fanini, revelou que recebeu um “cala boca” mensal de R$ 12 mil para não se esquecer do desumano desvio de recursos destinados a reformar e construir escolas, cujos prejuízos financeiros estão estimados, até o momento, em cerca de R$ 20 milhões. Parte dos recursos desviados, segundo os envolvidos no esquema de corrupção, foi usada em viagem para Miami e Caribe, para comemorar a reeleição, em 2014. Vergonha.

A despeito da imunidade judiciária que os tucanos têm a prisão, em setembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou a Richa, no âmbito da Operação Publicano, a tentativa de anular uma delação que o aponta como beneficiário do esquema de corrupção. A operação revelou uma sistemática cobrança de propinas de empresários, que pode ter movimento mais de R$ 2 bilhões. Segundo delação de um ex-auditor fiscal, parte do dinheiro abasteceu a campanha de reeleição do governador do Paraná.

O tucano paranaense enfrenta outra investigação, aberta pelo STJ, no âmbito da operação Superagui. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), há suspeitas de concessão ambiental a várias empresas, no Porto de Paranaguá. De acordo com as investigações, a empresa Green Logística recebeu licença ambiental irregular. Ela teria como sócia a BFMAR, cuja sigla coincide com as iniciais dos nomes da família Richa e tem, entre os seus sócios, o próprio governador e a primeira-dama do Estado.

Para arrancar dos servidores R$ 8,5 bilhões, da ParanaPrevidência, Richa comandou o então secretário de segurança, deputado federal Fernando Francischini, a despejar sobre uma população desarmada, dois mil soldados, bombas, balas de borracha, spray de pimenta e cachorros. O resultado de ferir grave e covardemente 213 pessoas é a inviabilidade da PP. De acordo com Coletivo de Previdência do Fórum das Entidades Sindicais, a PP deveria ter, hoje, no Fundo Previdenciário, R$ 13,3 bilhões. Porém, devidos aos R$ 140 milhões retirados mensalmente por Richa, o Fundo tem apenas R$ 7,4 bilhões.

O governador é declarado candidato ao Senado, em 2018. Franco, apresenta ostensivamente a ideologia à que serve. Governa para uma entidade chamada mercado, que prega o Estado Mínimo, mas não consegue viver sem o Estado Ampliado. Oprime, retira direitos e oferece o Paraná, suas estatais e recursos naturais ao capital especulativo. Pretensão eleitoral com esse currículo é um deboche à inteligência do povo paranaense. Mas esse há de mostrar que Richa está enganado.

*Enio Verri é deputado federal pelo PT do Paraná.

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