Beto Richa ameaça demitir 3.500 professores pela suposta ocupação de escolas em 2016

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), resolveu sentar num barril de pólvora, que está prestes a explodir. Ele abriu sindicância contra 3.500 professores da rede pública, com vistas a demiti-los, pela suposta participação no movimento de ocupação de escolas no estado em 2016.

A denúncia é do Núcleo Sindical da APP-Sindicato Curitiba Norte, que representa os estabelecimentos da área central da capital paranaense. Trata-se de perseguição política levada a cabo pelos Núcleos Regionais de Educação (NREs), braços da Secretaria da Educação nas regiões, que, desde o ano passado, instauraram sindicâncias contra 3.500 profissionais cujos depoimentos têm duração de 30 minutos a 4 horas cada.

“Além das patrulhas das já declaradas inconstitucionais Leis das mordaças de movimentos contra a mal chamada “ideologia de gênero” (mesmo não constando este termo no PNE), fazendo eco a uma visão burguesa, reacionária, obscurantista, eis que mais uma perseguição se instaura no Paraná: a criminalização de educadores (mesmo sem provas) pelas ocupações das escolas, ocorridas no ano letivo de 2016!”, diz um trecho do manifesto divulgado pela APP-Sindicato NS Curitiba Norte.

A maioria dos processos é aberta por meio de denúncia anônimas contra os educadores, qual seja, com o uso de “entulhos autoritários como o Estatuto do Magistério, cria-se um clima de coação”.

Naquele movimento de 2016, mais de mil escolas foram ocupadas por estudantes que protestavam contrariamente à MP 746 (reforma do ensino médio) e à PEC 241 (que congela os investimentos na educação por longos 20 anos). Parêntese: foi dessa agitação que surgiu Ana Júlia, então com 16 anos, que emocionou o país ao discursar na Assembleia Legislativa do Paraná (assista ao vídeo).

O Paraná possui 2,1 mil escolas da rede pública no estado. São 1 milhão de estudantes regularmente matriculados e 60 mil educadores na ativa (professores e funcionários).

Beto Richa elegeu os educadores como inimigos neste segundo mandado. Não é à toa que em 29 de abril de 2015, no Centro Cívico, ele autorizou o massacre pela PM contra 213 servidores públicos que lutavam contra o confisco da poupança previdenciária de R$ 8 bilhões.

A guerra do tucano contra a educação tem o objetivo estratégico de ocultar malfeitos na área, a exemplo das revelações nas investigações da Operação Quadro Negro, bem como extraviar a atenção de desvios na Receita Estadual, propinas na Odebrecht, etc.

Abaixo, leia a íntegra da denúncia da APP-Sindicato NS Curitiba Norte:

DENUNCIAR AS PERSEGUIÇÕES POLITICAS É PRECISO

Nos tempos sombrios nos quais vivemos encontramos um espírito de acusações e perseguições na área de educação que não nos pareciam possíveis após tantos avanços na LDB 9394/96, no PNE e demais documentos que direcionam esta área.

Além das patrulhas das já declaradas inconstitucionais Leis das mordaças de movimentos contra a mal chamada “ideologia de gênero” (mesmo não constando este termo no PNE), fazendo eco a uma visão burguesa, reacionária, obscurantista, eis que mais uma perseguição se instaura no Paraná: a criminalização de educadores (mesmo sem provas) pelas ocupações das escolas, ocorridas no ano letivo de 2016!

Desde o ano passado, professores e funcionários das escolas ocupadas foram chamados pelos Núcleos Regionais de Educação para prestarem depoimentos sobre as ocupações. Na instauração destas sindicâncias, assistentes de áreas e pedagogos dos setores intimaram os educadores em seus horários de trabalho para um processo inquisitório que levava de 30 minutos a 4 horas.

Diretores também foram colocados na linha de frente e responsabilizados pelas ocupações, sendo citados por terem “permitido” tal movimento. Os professores que se expuseram como a favor do movimento seja participando de palestras sobre o assunto, polemizando via whatsapp ou redes sociais estão sendo responsabilizados por incitação às ocupações.

Ou seja, marcar posição é crime! A mordaça está estampada no rosto dos professores, funcionários e alunos da rede estadual do Paraná.

Educadores em reunião de nosso núcleo sindical relataram insatisfeitos a maneira “tranquilizadora” pelo qual foram orientados no setor jurídico do sindicato.

De fato, a situação não é tranquila pra quem é chamado a depor. No Paraná são mais de 3500 casos do funcionalismo sofrendo esta perseguição política. Através de ouvidorias anônimas, sindicâncias, processos administrativos, de uso de entulhos autoritários como o Estatuto do Magistério, cria-se um clima de coação.

Não é possível tratar com naturalidade esperando que o governo esqueça os casos. Nossa categoria precisa se unir contra esse tipo de situação e dar uma resposta a altura!

Diante disso por iniciativa dessa diretoria foi aprovado na Assembleia Estadual no dia 25/11 resolução pela realização de uma campanha estadual e nacional de denuncia das perseguições politicas praticadas pelo governo Beto Richa (PSDB). Essa campanha deve mobilizar nossos meios de imprensa, nos dirigirmos a demais sindicatos e parlamentares daqui e de outros estados.

Juntos, o problema é nosso! Não aceitaremos o cerceamento das liberdades democráticas!

App Sindicato/ NS Curitiba Norte

Reveja o discurso de Ana Júlia, símbolo das ocupações de escolas no Paraná:

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