“Moniz Bandeira era um verdadeiro brasileiro”, afirma Wellington Calasans

Publicado em 11 novembro, 2017
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O jornalista Wellington Calasans, d’O Cafezinho, desde Estocolmo, na Suécia, homenageia em artigo especial as “últimas palavras do cientista político Moniz Bandeira”, morto nesta sexta-feira (10), de quem era amigo havia décadas.

Moniz Bandeira revolucionou a maneira de vermos as relações Brasil /Estados Unidos, assim como com a Argentina, deixando obra que é referência na área de relações internacionais. Por ajudar no processo de repensar o Brasil e pela vasta produção intelectual, foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura pela União Brasileira de Escritores (UBE), em 2015.

Para todos os democratas e progressistas que desejam um Brasil soberano, Moniz Bandeira deixou livros que abrem caminho para a compreensão dos desafios que o País ainda enfrenta, especialmente no atual momento, em que forças ligadas ao capital estrangeiro tentam acabar com qualquer projeto de desenvolvimento nacional autônomo. Livros clássicos como “Formação do Império Americano”, “A Segunda Guerra Fria” e “A desordem mundial e o “O ano vermelho – a Revolução Russa e seus reflexos no Brasil” integram a sua farta produção intelectual.

Calasans é titular de uma coluna n’O Cafezinho denominada “Café Expresso” que discute, ao lado do blogueiro Romulus Maya, residente na Suíça, as grandes questões relacionadas ao Brasil e ao mundo.

Abaixo assista a homenagem de Romulys e Wellington a Moniz Bandeira:

“Eu vou viver muitos anos ainda, Margot”. Últimas palavras do cientista político Moniz Bandeira

por Wellington Calasans, para O Cafezinho

Confirmada na tarde de ontem, às 14h, na cidade de Heidelberg, na Alemanha, a morte de um dos maiores nomes da pesquisa sobre a história política, o historiador e cientista Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira. Complicações renais, pulmonares e a fragilidade decorrente de seguidos problemas cardíacos foram decisivas para a morte deste verdadeiro brasileiro.

Moniz Bandeira deixa um filho, Egas Moniz, e a esposa Margot Ellisabeth Bender, alemã, com a qual falei na manhã deste sábado (11). Abatida, preocupada com a tristeza do filho Egas, a Sra. Margot ainda encontrou forças para narrar os últimos dias de vida do Professor Moniz. “Foi tudo muito rápido, Wellington, ele sentiu dores nas pernas na terça-feira e eu chamei a ambulância”, narrou a viúva. Pelo profundo respeito que tenho ao Professor Moniz, jamais publicaria detalhes do seu sofrimento.

No último gesto de amor à esposa Margot, Moniz Bandeira, prestes a entrar em coma induzido, tentou acalmá-la com uma frase que serve para todos nós que aprendemos a admirá-lo: “Eu vou viver muitos anos ainda, Margot”. A sua imortalidade estará presente até que tombe o último brasileiro nacionalista.

Foi a última análise, mais um certeira, de uma pessoa singular e profissional perfeccionista, reconhecido pelo seu rigor acadêmico e engajamento, que agora entra para o panteão dos imortais, sobretudo pela contribuição que deu à História, Política e Relações Internacionais. Muito produtivo até mesmo com a idade avançada, Moniz Bandeira lançou este mês os seus dois últimos livros “O Ano Vermelho” e “Lenin”, ambos em alusão aos cem anos da Revolução Russa.

Este texto não esgota o que tenho a falar sobre o Professor Moniz Bandeira. Estou profundamente triste com a dor desta notícia. Falávamos praticamente todos os dias, em vídeo. Uma amizade que me ajudou a olhar o mundo com outros olhos. Estávamos concluindo o corpo do livro “A arte da insurgência”, para o qual fui convidado a fazer a “escrita moderna” de artigos publicados por ele no final dos anos sessenta. Descanse em paz, imortal!

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