“Ministra-escrava” fez declaração de “boa-fé” sobre salário de R$ 33 mil

Subitamente, a ministra dos Direitos Humanos Luislinda Valois, do PSDB, virou motivo de espancamento midiático porque comparou sua atividade e o salário de R$ 33 mil com o trabalho escravo. A meu ver, ela fez uma declaração de “boa-fé” ao requerer salário de R$ 60 mil — extrapolando o teto estabelecido pelo Supremo.

“O trabalho executado sem a correspondente contrapartida, a que se denomina remuneração, sem sombra de dúvida, se assemelha a trabalho escravo”, justificou no polêmico pedido.

Primeiro, é bom colocarmos os pingos nos is. A mesma mídia que se diz “escandalizada” com o caso da ministra dos Direitos Humanos não teve — e não tem — a mesma reação em relação a juízes que percebem salários mensais de até R$ 250 mil acrescentado apetrechos no contracheque. Ou os próprios ministros do STF que complementam a renda fazendo palestras por 100, 200 ou 300 mil reais.

Por que a “vingadora” velha mídia se cala diante do supersalário de mais de R$ 100 mil mensais pagos ao secretário da Fazenda do Paraná, Mauro Ricardo Costa, como denunciou o deputado Nereu Moura (PMDB) em março deste ano?

Talvez a reação contra a declaração de Valois tenha a ver com o fato dela ser negra.

Repito, a meu ver, a declaração da ministra foi de “boa-fé”, isto é, foi um “sincericídio”.

Note o leitor que a atitude de Luislinda Valois foi de requerer à União autorização para acumular os vencimentos da função, de R$ 33 mil, com os R$ 30 mil que recebe da aposentadoria de desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia. Para não extrapolar o teto, ela recebe R$ 3.300,00 como ministra.

O teto imposto pelo STF [aos outros] é de R$ 33.700,00.

Ela não é nenhum Geddel Vieira Lima, preso pela lava jato após ser descoberto com R$ 51 milhões escondidos num apartamento de Salvador.

A ministra Luislinda “apanha” na mídia e nas redes sociais porque, além de negra, não é nenhum Aécio Neves, que foi absolvido mesmo flagrado pedindo propinas de R$ 2 milhões.

Portanto, como disse o poeta romano Horácio, “Est modus in rebus, sunt certi denique fines” (“há uma justa medida (“modus”) em todas as coisas (“rebus”); existem, afinal, certos limites” ).

Comments are closed.