Estadão retoma tese do fim da gratuidade no ensino superior no Brasil

“Para cortar gastos sem prejudicar os mais pobres, o governo deveria acabar com a gratuidade do ensino superior”, destaca o Estadão nesta terça (21), atribuindo a ingerente tese ao Banco Mundial, embora seja essa uma antiga aspiração neoliberal da mídia brasileira.

A conversa é mesma de sempre, que remonta à época de Fernando Henrique Cardoso, nos anos de 1990, tempo de ofensiva contra políticas públicas do Estado Social.

Ao dar azo à proposta do fim de gratuidade no ensino superior no país, o Estadão concorda com a mesma.

A ideia seria decretar o fim da gratuidade nas universidade e institutos federais, bem como nas estaduais, portanto a comunidade universitária que fique esperta com esse debate ideológico proposto pelo “mercado” e pelos rentistas.

“Uma reforma poderia economizar aproximadamente R$ 13 bilhões ao ano nas universidades e institutos federais. No nível estadual, a economia poderia ser de R$ 3 bilhões”, destaca o jornalão, sem, no entanto, dizer que o superávit seria para garantir o pagamento dos juros.

Ainda, conforme o Estadão, sempre colocando na conta do Banco Mundial, a extinção da gratuidade aumentaria a quantidade de alunos por professor nessas instituições. “A proposta é não repor os professores que deixam o sistema. Só com isso, a economia seria de R$ 22 bilhões”, diz o texto.

A principal proposta para enxugar gastos nessas esferas é aumentar a quantidade de alunos por professor. O estudo diz que a quantidade de estudantes está caindo devido à redução das taxas de natalidade, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A proposta é não repor os professores que deixam o sistema. Só com isso, a economia seria de R$ 22 bilhões.

A matéria afirma ainda que os gastos do governo com ensino superior são equivalentes a 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e crescem, em termos reais, 7% ao ano, acima da média mundial. Um tremendo papo furado, como revelam os números de outros país e a “PEC do Teto” que congelou os investimentos pelos próximos 20 anos.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil investe quase US$ 11,7 mil (R$ 36 mil) por aluno do ensino superior. A média nos países da OCDE é de US$ 16,1 mil, puxada por despesas mais elevadas de países como os Estados Unidos, Noruega, Luxemburgo e Reino Unido.

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