Lágrimas de crocodilo: OAB grita contra “antidemocráticas” reformas no país

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apoiou o golpe de Estado de 2016. Agora, quase dois anos após a queda de Dilma Rousseff, a entidade grita na abertura da 23ª Conferência da Advocacia Brasileira contra o que ela considera “antidemocráticas” reformas em curso no país.

O presidente da OAB nacional Claudio Lamachia criticou o açodamento do governo Michel Temer que “quer impor sem debate prévio uma reforma como a da Previdência, assim como a reforma trabalhista”.

O diabo é que a OAB parece não aprender com os erros ou finge lamentar a falta de democracia no país. Vide a abertura do evento repleto de tucanos e outros protagonistas do golpe de Estado. Geraldo Alckmin, por exemplo, diz que sua plataforma será a redução do Estado (privatização) caso seja eleito em 2018. Ora bolas, carambolas, ele pretende ser um “puxadinho” do que é hoje o governo Temer.

O suicídio do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Carlos Cancellier também não passou impune aos olhos dos advogados. Segundo a Ordem, Cancellier “se imolou pela vergonha de uma prisão injustificável.”

A Conferência da OAB ainda denunciou o desrespeito às garantias fundamentais do cidadão no processo penal. Para o advogado Juliano Breda, ex-presidente da seccional no Paraná, a inobservância desse preceito constitucional torna ilícita a atividade de produção das provas.

“No Processo Penal, a função da justiça criminal exige que a atividade probatória do Estado respeite direitos e garantias fundamentais do cidadão”, ensinou.

Em 2016, não foi a primeira vez que a OAB escorregou na História. No golpe de 1964, igualmente, a Ordem apoiou a deposição de Jango Goulart até a edição do AI-5, em 13 de dezembro de 1968.

Note o caríssimo leitor que, primeiramente, o Estado Policial mirou os petistas; mas, lembrando Bertold Brecht, nem todos os advogados eram petistas, por isso a OAB ficou calada; depois ele [o Estado Policial] veio e levou um professor, Luiz Carlos Cancellier, que por coincidência era advogado; agora a velha mídia, como braço desse ódio, além de petistas, também ataca advogados — como fez esta semana a revista Veja.

Diante disso tudo, a OAB continua sendo um poço de contradições que pende para o golpismo neoliberal, qual seja, a banca e o rentismo, contra a ideia do Estado Social e dos direitos fundamentais.

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