Requião compara força-tarefa lava jato a esquadrões da morte; assista

“São força tarefa ou esquadrões da morte?”, indagou hoje (31) o senador Roberto Requião (PMDB-PR), ao referir-se a lava jato, na sessão solene em homenagem ao reitor da UFSC morto no começo deste mês. Para o parlamentar, “as marcas da maldade ficaram impressas em Luiz Carlos Cancellier, em seu espírito, em sua alma atormentada, em seu coração estraçalhado. E o estigma foi lavado em sangue.”

“Não há como se livrar da mancha de ter sido preso nesse Brasil dos abusos da Lava Jato e de operações inquisitoriais assemelhadas”, disse Requião.

Assista ao vídeo:

Cancellier e a maldade fascista nas instituições

Roberto Requião*

Talvez fosse pedagógico, ou mesmo um exercício indispensável, que se estudasse a ascensão do fascismo na Alemanha, Itália, Espanha, Portugal. E o fenômeno do macarthismo, nos Estados Unidos.

Se o assim o fizéssemos, dispararíamos todas as sirenes de alerta para avisar essa pátria tão distraída que o monstro vem aí.

Um traço distintivo, característico da escalada fascista é o abuso de poder, a exorbitância, os excessos da autoridade. As ações imoderadas e arbitrárias são essenciais para que se imponha a ordem fascista. Ações que causem constrangimentos, espalhem o medo, acuem, humilhem, difamem. A polícia e órgãos vinculados à operação da Justiça são imprescindíveis para isso. Assim como a colaboração dos meios de comunicação amigos, simpáticos à causa.

Os pretextos para que se esgarcem ao limite os trâmites legais e tencionem ao máximo a ordem democrática, alternam-se ao sabor das conveniências. Ora é o perigo comunista, depois a dissolução dos costumes, mais adiante a corrupção, em seguida a anarquia econômica e assim por diante.

No fundo, na essência sempre o mesmo propósito: a salvaguarda e a manutenção do sistema. Este, suas mazelas, sua entranhada e incorrigível desumanidade, não vem ao caso, não se contesta.

Enfim, confirma-se mais uma vez: fascismo e capitalismo não se opõem, completam-se.

Mas é claro, o abuso de poder, os excessos da autoridade não são erupções repentinas, surpreendentes, que surgem do nada. Essas manifestações exigem um longo cultivo, cuidadosa maturação e, como a história ensina, exige principalmente a omissão, o silencio e a conivência dos democratas, dos humanistas, das mulheres e dos homens de bem.

Omissão, silêncio, conivência que levam a tragédias como a morte do reitor Luís Carlos Cancellier. O caso do professor Cancellier é um exemplo clássico, pronto e acabado, de abuso de poder. Um exemplo também completo da impunidade das autoridades arbitrárias, despóticas.

Prisão sem justificativa firme, plausível e feita sob os holofotes da Globo, da CBN; acusações vagas, suposições; e todo o ritual de humilhação a que são submetidos os presos, culpados ou inocentes.

De um lado, a covardia extrema. Sadismo. Maldade. Cinismo. Baixeza. A vilania praticada em seu grau mais elevado.

De outro, angústia, desespero, desamparo. E aquele sentimento de injustiça, de iniquidade que nada aplaca, alivia ou consola.

Não há como se livrar da mancha de ter sido preso nesse Brasil dos abusos da Lava Jato e de operações inquisitoriais assemelhadas. Se foi preso, é porque deve alguma coisa. Se foi preso, mereceu. Como alguns dos presos são realmente bandidos, todos os presos são bandidos. Esse o silogismo medíocre, ginasiano, concurseiro dessa rapaziada.

Eliminou-se a presunção de inocência. A Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário transformaram-se na espada santa do Senhor, nos anjos da Justiça. Infalíveis, incontestáveis. Se os fatos, se a verdade dos fatos os contrariam, azar.

E vamos parar com essa pusilanimidade de chamar isso de “ativismo judicial”. Ativismo judicial é a santa progenitora desses causídicos bobalhões! É ativismo político desbragado, deslavado, desavergonhado! É militância política pura e simples!

Ativismo judicial….ora, imbecis, querem enganar quem?

Não conheci o reitor Luís Carlos Cancellier. Não estou aqui santificando-o, canonizando-o. Dizem que a Universidade Federal de Santa Catarina vivia uma situação complicada, até anárquica, quando ele assumiu a reitoria, eleito por ampla maioria. Dizem que tendia à conciliação. Dizem. Mas ninguém nunca disse que ele era desonesto, corrupto, parceiro de bandidos, protetor de bandidos.

Talvez descobríssemos mais defeitos em Cancellier. Talvez ele fosse até mesmo passível de censuras. Quem sabe?

Mas daí a atirá-lo no lodaçal das suspeitas, equiparando-o, pelo tratamento a ele concedido, a esses notórios bandidos dessa República de meliantes, aí não!

Imaginem só, comparar o Cancellier com…. bem todos sabem com quem, todos sabem os nomes.

Pois é, os canalhas ousaram fazer isso com o Cancellier.

Evidentemente, não vou aqui fazer a óbvia exigência de que apresentassem provas contra Cancellier. Nos dias de hoje, acusar e apresentar provas é um luxo. Por que provas se os rapazes da Lava Jato têm convicções? Por que provas se o Jornal Nacional, a Globonews, a CBN, RBS e os jornalões já sentenciaram?

William Bonner, voz solene e empostada, repete Sérgio Chapelin e Cid Moreira dos anos da ditadura, e também lê, diariamente, os boletins das execuções sumárias.

Desagravo-o, Luís Carlos Cancellier, não como santo ou herói. Desagravo-o como mais um brasileiro, como tantos milhares de compatriotas que, todos os dias, são humilhados pela falta de justiça, pelo desemprego; pelo assalto à nossas riquezas e quebra de nossa soberania; pela monstruosa concentração de rendas que faz de seis brasileiros terem a mesmas posses que cem milhões de brasileiros; pela usura, pelo rentismo que sacrifica o país, suas empresas e o seu povo no matadouro do capital financeiro.

Desagravo-o, reitor Cancellier, porque enquanto o perseguem, o expõem e o enxovalham a corrupção, a grande e asquerosa corrupção da escravização dos trabalhadores; do corte de gastos públicos na saúde, na educação, na segurança, pública, na geração de empregos, na habitação e no saneamento; a corrupção da entrega do pré-sal e dos minérios; a corrupção da privatização da energia elétrica e da venda de terras para os estrangeiros; a corrupção do abominável racismo que faz com que mais de 70 cento dos brasileiros vítimas de violência sejam pretos , pardos e mulatos; a corrupção de uma justiça lenta, insensível e parcial….. ah, essa corrupção que corrói e destrói o país, essa corrupção não vem ao caso.

Mas supostos desvios na Universidade Federal de Santa Catarina, isso vem ao caso, não é senhora delegada da Polícia Federal e notável atriz lavajatina. Não é senhores juízes e senhores promotores, mais justiceiros e executores do que qualquer coisa. Não é, senhoras e senhores que nada mais são que contrafações, pastiches dos verdadeiros e sérios operadores do Direito e da Justiça.

São força tarefa ou esquadrões da morte?

As marcas da maldade ficaram impressas em Cancellier, em seu espírito, em sua alma atormentada, em seu coração estraçalhado. E o estigma foi lavado em sangue.

Senhoras e senhores.

Hoje, exatamente hoje, 31 de outubro, há 500 anos, a humanidade conheceu um dos mais portentosos, sublimes e poderosos grito contra o abuso de autoridade. No dia 31 de outubro de 1517, em Witemberg, Alemanha, Martinho Lutero expõe suas 95 teses denunciando a que extremos chegara o abuso de poder da cúpula dirigente da Igreja Católica.

O protesto de Lutero vibra, faz tremer a face da terra e desperta o homem para uma nova relação com a religião, com Deus e com a Igreja. O poder discricionário do Vaticano, e seus implacáveis caçadores de heréticos e rebeldes, sofre um abalo para todo o sempre.

Protestemos! Mais que isso, rebelemo-nos, insurjamo-nos. Vamos às ruas, ocupemos as escolas, façamos greve, ocupemos fábricas, bancos, escritórios, estaleiros, refinarias e vamos colocar abaixo o entreguismo, o escravagismo, a corrupção, os arreganhos fascistas e o arbítrio.

É o meu grito, é o meu desagravo ao reitor Luís Carlos Cancellier.

*Roberto Requião é senador da República no segundo mandato. Foi governador de estado por 3 mandatos, 12 anos, prefeito de Curitiba, secretário de estado, deputado, industrial, agricultor, oficial do exército brasileiro e advogado de movimento sociais. É graduado em direito e jornalismo com pós graduação em urbanismo e comunicação.

14 Comentários

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  1. Os Golpistas dão de ombro para essas intervencões parlamentares que se encerram em si mesmo……………….!!!!!!

    A luta política a partir de agora deve ser travada nas ruas juntamente com o POVO……………….!!!!

    A VERDADEIRA acão política (discurso e panfletagem) deve se dar na Cinelândia, na GARE D. Pedro II no Rio, na Estacão Sé do Metrô em S. Paulo e etc……………………!!!!!

    Fora disto não há Saída………..!!!!! A Nacão está sendo saqueada……………….!!!!!

    É chegada de vez a hora da reacão à PILHAGEM que está sendo perpetrada pelos CANALHAS………………….!!!!!!! Em não ocorrendo……………………., após esse Dilúvio não devemos contar nem mais com a POMBA…………………….!!!!

  2. Gente. vcs falaram tanto do Willian mas observem bem mais da metade dos paranaenses concordam com ele! Tanto é que mesmo o velhinho brigando, ameaçando, balas de prata etc… levou bucha! restou-lhe um mandato antigo que esta acabando! e dificilmente se elege de novo. Vocês podem não gostar, mas quem disse isso foi as urnas! eu até que gosto dele , mas ta feia a coisa minha gente!

  3. A BRASILEIRO AINDA NÁO SE ACUSTUMOU A VER O POLITICO CORRUPTO COMO BANDIDOS-O POLITICO CORRUPTO É UM BANDIDO COM FORO PREVILEGIADO-ACHO ATÉ QUE O PROMOTORES E JUIZES DO LAVA FATO SÁO MUITOS EDUCADOS E MILIDRADOS -E SE ESQUEÇEM QUE OS POLITICOS CORRUPTOS SÁO BANDIDOS COMUNS-

  4. Parabéns grande e respeitável Senador Requião. Gostaria de ser paranaense para dedicar-lhe meu voto. É um dos pouquíssimos parlamentares que se salvam da bandidagem que predomina nas duas casas (de tolerância?) do Congresso.

  5. Nem tanto, Senador.
    Só se o senhor souber de coisas gravíssimas a respeito dessa turma, que ainda não tenha sido divulgado.
    No mais, me parece o esquadrão do lixo, pois tudo lá fede muito.
    Já já vão ao ar as denuncias do Tacla Duran sobre o Juizeco.
    E aí meus amigos, vai ser um corre corre daqueles.
    É só aguardar.

  6. O Requião uma vergonha para o Paraná? De que Paraná vc está falando? Não deve ser o Paraná dos homens e mulheres do bem! A carapuça serviu em vc, que deve fazer parte desses ditos paranaenses que envergonham e humilham os professores! Viva estadista Senador Requião – o senhor é um homem honrado. Quem não o vê assim, é porque não tem nada de decente!

  7. A verdade é a mais sublime das manifestações do espírito humano. Ela não tem preferências, não tem partidarismos, não tem afilhados… pois isso, quando declara algo, o faz com inteira imparcialidade e respeito, respeito a ela mesma com sua insofismável grandeza de valor. Parabéns, senador Requião; que sua mensagem encontre éco em todos os rincões de nossa pátria, hoje tão corrompida e tão necessitada de valores morais.

  8. W W W W W W W W W Willian,vergonha e você estar aqui perdendo seu TEMPO,tão prestativo de palavras sabias ,não estudou em escola nova que REQUIÃO fez MUITAS.

  9. Requião uma vergonha para o parana,palavras de Willian,pois e fato ele REQUIÃO ,quando governo tinha em mãos mais de 10.000 mil hobras isso e vergonha para beto lixo o qual você votou WILLIAM,farsante.

  10. Willian Rodrigues ,caráter se tem não compra com malas de granna ,a que você não tem ,vergonha es tu Willian rodrigues.

  11. Requião homem de caráter .pode bem ser Presidente.

  12. Wilian rodrigues,deve estar sofrendo de inveja ,vergonha e você vai embora pra minas chupar do santo AÉCIO,santo e ficha limpa ,vergonha e tu fdp.

  13. Requião é um facho de luz em busca da verdade. Grande senador!

  14. REQUIAO É UMA VERGONHA PARA O PARANÁ , NOJO DESSE SENADOR !!