Aécio e Temer ainda estão no bico do corvo

Não pense o caríssimo leitor que só Michel Temer (PMDB) terá de enfrentar o plenário da Câmara para se garantir no cargo. O senador e “parça” Aécio Neves (PSDB-MG) agora, também, terá de encarar a Comissão de Ética no Senado.

O presidente interino do PSDB nacional, senador Tasso Jereissati (CE), disse nesta quarta-feira (18) que o correligionário de ninho tem o dever de se defender no Conselho de Ética.

Depois de barganhar emendas e trabalhado escravo por votos, bem como trocar membros da CCJ da Câmara, por 39 votos a 26, o peemedebista conseguiu o livramento provisório da ação penal que o acusa de participar de organização criminosa e obstruir a justiça.

É o plenário da Câmara que dará a palavra final, na semana que vem, se o STF pode ou não pode processar Temer. Evidentemente que, num colegiado de 513 deputados, o preço da salvação custará muitíssimo mais caro.

Voltemos a Aécio. Estima-se R$ 200 milhões o valor pago pelo Palácio do Planalto pela preservação do tucano. Foi o preço para afastar a hermenêutica criativa do STF que determinou o afastamento e prisão domiciliar do senador do PSDB.

Entretanto, assim como Temer, os problemas de Aécio não acabaram. Lembre-se da representação da bancada do PT no Conselho de Ética do Senado.

“O Código de Ética do Senado Federal dá poderes para a Casa tratar do assunto e afastar o Senador Aécio Neves. Por isso, nós vamos acionar os mecanismos institucionais adequados para que isso seja feito”, explicou a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do partido, no final do mês passado.

Em julho passado, o colegiado arquivou por 11 votos a quarto um pedido de cassação do senador tucano pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). A Casa se abstivera na discussão das gravações de Aécio com o dono da JBS, Joesley Batista.

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