Por Esmael Morais

Requião Filho: “É preciso perdoar o pecador, não o pecado”, diz Beto Richa; será?

Publicado em 26/09/2017

“É preciso perdoar o pecador, não o pecado”, diz Beto Richa; será?

Requião Filho*

A grande febre da mídia brasileira são as delações. Adorada por uns, odiada por outros, são elas o centro das notícias nos últimos anos, responsáveis direta ou indiretamente pelas quedas do governo, da bolsa, do emprego, da renda per capita e, em contrapartida, garante as altas audiências.

Por outro lado, trouxe ao conhecimento da população a face oculta do poder daquele que desvia, que usurpa, que corrompe e que debocha.

No Paraná não é diferente. As delações abalam as estruturas do Governo, que sempre vendeu a falsa imagem de moralidade. Em meio a todos estes escândalos, Beto tem sido arduamente defendido por seus apoiadores, que não economizam elogios à sua pessoa, enquanto propagam pesadas ofensas a seus delatores.

Desconstruir o delator, o pecador, é prática comum da defesa dos envolvidos nos escândalos de corrupção. Inclusive, na própria ALEP, ouvimos recentemente uma aula burocrática sobre o trâmite de aprovação de projetos e liberação de aditivos no âmbito da Secretaria de Educação. Foram longos 40 minutos, no intuito de demonstrar que o Governador do Estado, mesmo tendo assinado inúmeros documentos, os fez como mero cumprimento de formalidade legal!

Coitadinho, do Governador! Tão ingênuo e descuidado, que não lê o que assina.

Se restringindo aos atos formais, é fácil fazer uma defesa! Na corrupção, lavagem de dinheiro e caixa 2 jamais serão documentados. São crimes que ocorrem nas sombras, longe dos documentos oficiais.

O gestor público não pode ser uma pessoa conformada, apática, inerte. Não pode concorrer com o erro, mas estar sempre atento a tudo que assina, ainda mais quando se trata de despesas e aditivos repetitivos, como foi revelado pela Operação Quadro Negro.

O Governador esperou pipocar as denúncias, com as fortes imagens de terrenos vazios, sem escolas, com a comprovação de pagamento de milhões para obras não construídas é que se abriram as investigações. Uma obrigação da gestão pública que não exime o dolo ou a culpa de seus responsáveis.

Ora! O administrador público que se garante não precisa de defesa de seus atos, como uma pessoa desprovida de discernimento. Com todo respeito aos seus defensores, é tarde para desmerecer as delações. Podem ser elas supervalorizadas em algum momento, desconcertantes em outros, até mesmo questionáveis às vezes. Mas o depoimento dos réus é apenas um dos elementos para que haja uma delação válida.

Não nos importam os trâmites burocráticos que envolveram a contratação da Construtora Valor, tampouco os escândalos envolvendo a cúpula da Secretaria de Educação por desvio de dinheiro público na construção de escolas no Paraná. O que nos importa são os prejuízos que o Estado e sua população estão pagando a todo instante.

“É preciso perdoar o pecador, não o pecado”, dizia Beto Richa. Mas se o delator entregar o esquema criminoso e se tornar um colaborador do judiciário, vira bandido, pessoa desqualificada e mentirosa.

Ora Governador, dois pesos duas medidas? Cadê a coerência?

O que o povo espera é que se investigue a fundo e que sejam punidos TODOS os que tiraram dinheiro da educação, seja para patrocinar a ostentação em viagens internacionais ou apenas garantir bons resultados em campanhas eleitorais.

*Requião Filho é deputado estadual pelo PMDB do Paraná.