UGT adverte: reforma trabalhista pode matar por excesso nas cargas laborais

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) advertiu esta semana durante a 26° reunião da entidade, em São Paulo, que o excesso nas cargas laborais e o trabalho intermitente, previstos na reforma trabalhista, podem levar trabalhadores à morte.

A UGT utiliza como paradigma o caso do Japão, onde, culturalmente, muitos se negam a tirar férias e casos de morte no ambiente laboral não são raros. Lá, o governo japonês pretende limitar horas extras a 720 horas/anos de trabalho.

O desembargador do Trabalho do TST-RS, Ricardo Fraga, afirmou que a nova lei representa um retrocesso ao discorrer sobre os possíveis efeitos que o trabalho intermitente (quando o trabalhador ganha somente por hora trabalhada e fica à disposição de várias empresas), poderá causar aos trabalhadores.

“No Japão, um dos maiores índices de suicídio e depressão é justamente em trabalhadores que prestam esse tipo de serviço”, alertou.

O sindicalista Paulo Rossi, presidente da UGT-Paraná, denunciou na reunião que os legisladores estão preocupados em acabar com as entidades representativas dos trabalhadores com o objetivo de atender as demandas das multinacionais e do sistema financeiro.

Rossi classificou como “nefasto” o modelo negociações individuais importado dos Estados Unidos em que o patrão poderá firmar acordos diretamente com os trabalhadores, sem a participação do sindicato.

“Além disso, os senhores deputados e senadores, tornaram facultativa a contribuição sindical, mas mantiveram a obrigatoriedade do suspeito sistema “S”, agraciando dessa forma as confederações e federações patronais. Me desculpe, mas isso é um jogo desigual para quem prega um moderno sistema de relações do trabalho”, condenou o dirigente da UGT-PR.

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