Hoje, 63 anos depois, Vargas se suicidaria com as privatizações de Temer?

Getúlio Vargas pôs fim à própria vida no dia 24 de agosto de 1954, portanto há 63 anos. Na carta-testamento, o ex-presidente disse que saia da vida para entrar na História.

Vargas se suicidou para retardar um golpe de Estado da burguesia, que não se conformava com a independência do Brasil em relação às potências econômicas mundiais e o projeto de desenvolvimento nacional calcado nas estatais.

Dez anos depois, em 1964, veio o golpe militar que jogou o país nas trevas por mais de 20 anos.

Agora, quando completou 63 anos do desaparecimento de Vargas, eis que Michel Temer (PMDB), em pleno golpe de Estado, anuncia a privatização de 57 empresas públicas. Dentre as quais estão a secular Casa da Moeda, de 1694; blocos do pré-sal (petróleo); portos e aeroportos; rodovias; a Eletrobras e a Petrobras; e, pasme, até a floresta Amazônica. (Nem vamos falar sobre o fim da CLT).

A pergunta que não quer calar é: se vivo ainda fosse, Vargas se suicidaria com as privatizações de Temer?

Abaixo, leia a atualíssima carta-testamento de Getúlio Vargas:

Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

“Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

“Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

“E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte.

Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.

9 Comentários

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  1. Será possível!! Estão golpeando a democracia, os direitos trabalhistas e previdenciários, retomando a privataria tucana, desmontando programas sociais, arrochando salários, congelando investimentos em saúde e educação por vinte anos, e de quebra vendendo as nossas riquezas nacionais (PRESAL) para os gringos, tudo numa só tacada, e ainda tem gente que não sabe quem a vítima e o vilão da história,vive repetindo feito papagaio do PIG a cantilena golpista de que a culpa de tudo é Lula e Dilma.Pode?!

  2. Etcha cabra da muléstia dos inferno esse temerio!!!!

  3. Deixa o Vargas lá quieto, morto e enterrado. E enterra logo de uma vez por todas e definitivamente esse estatismo desgraçado do tempo dele. Olhemos para frente.

    • Se voce nao enxerga um palmo a frente do nariz cale-se,porque de historia voce nao entende nada.

      • Me calar por que?? Te incomoda o que eu digo?? Te deixo sem argumentos?? Está com medo de que pessoas deixem de acreditar no lero-lero de vocês?? São só algumas perguntas.

  4. Acredito que não se suicidaria pq , hoje, as noticias correm céleres demais, o panorama é outro. O carater das pessoas continuam os mesmos, mas ele reagiria diferente.

  5. Ja que o povo não está nem aí com a roubalheira e destruição dos direitos trabalhistas e fim da aposentadoria os espíritos do vargas do Brizola sao a única esperança.

  6. Já que o povo