Milho aos pombos gordos de Brasília e seu establishment

| 7 Comentários

A senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, acusa Michel Temer de agir como um “Robin Hood às avessas” e denuncia o ilegítimo por promover uma vergonhosa barganha para livrá-lo de uma cassação de mandato já na abertura dos trabalhos no Congresso Nacional. “Temer e a aristocracia estatal distribuem milho aos pombos gordos de Brasília e de sua burocracia estatal”, escreve.

Milho aos pombos gordos de Brasília e seu establishment

Gleisi Hoffmann*

Em pouco mais de um ano no governo, Michel Temer vem cumprindo à risca o roteiro para o qual foi designado pelos arquitetos do golpe contra Dilma Rousseff. Como se fosse um Robin Hood às avessas, Temer tira recursos de programas voltados aos mais pobres para garantir os benefícios dos mais ricos. Em ritmo acelerado, vamos queimando o capital social acumulado nos 13 anos de mandatos do PT, que fizeram do Brasil um exemplo para o mundo desenvolvido, sobretudo pela capacidade para acabar com problemas crônicos da nação, entre eles a fome, e ainda reduzir consideravelmente a pobreza.

O desprezo de Temer e de seus associados é de fácil constatação. Somente na semana passada, o governo ilegítimo anunciou o corte de quase metade dos recursos destinados ao Programa de Aceleração do Crescimento, uma das prioridades dos governos petistas, e grande responsável pela geração de milhares de empregos e pela execução de obras estruturantes que modificaram a paisagem de várias regiões do País.

Segundo Temer, o corte foi uma maneira de ajustar as contas do país, a exemplo do que já havia sido feito com o congelamento dos reajustes do Bolsa Família, o fim do programa Farmácia Popular e o contingenciamento dos recursos destinados às famílias de baixa renda na construção de unidades do Minha Casa, Minha Vida.

A escolha desses programas dá a dimensão das prioridades do governo golpista. O rombo nas contas públicas, que sustentam a pesada taxa de juros, é a grande desculpa para a suspensão de investimentos e para a aprovação de medidas que promovem o desmonte do Estado brasileiro. Em apenas um ano, Temer conseguiu a proeza de aprovar emenda que congela os gastos com Saúde e Educação por 20 anos, aprovou a malfadada “reforma” trabalhista e agora tenta mudar as regras da previdência social, atingindo principalmente os trabalhadores que mais necessitam da retaguarda do poder público para sobreviver com o mínimo de dignidade.

Mesmo sob acusações pesadas de corrupção, com provas fáticas, a crise não existe para Temer. Prova disso são os milhões de reais que vêm sendo destinados em emendas aos parlamentares de sua base, numa vergonhosa barganha para livrá-lo de uma cassação de mandato já na abertura dos trabalhos no Congresso Nacional, marcada para esta semana.

Em nenhum momento, o presidente ilegítimo acenou, por exemplo, com a taxação de grandes fortunas ou de lucros e dividendos para tapar os “buracos” no orçamento de que tanto fala. Também se recusa em discutir a redução das mordomias de uma casta privilegiada do serviço público, que recebe aumentos e acumula benefícios pecuniários inimagináveis aos meros mortais. Em meio à crise fiscal, o desgoverno de Temer é capaz de perdoar dívidas milionárias de empresários, enquanto enfia aumentos de impostos goela abaixo da população somente para garantir o equilíbrio das contas públicas – o caso dos reajustes da gasolina e do diesel é o mais recente, mas não será o último.

Somado a tudo isso, a aristocracia do serviço público despreza o Brasil real. O Conselho Nacional do Ministério Público se autoconcedeu um aumento salarial de 16%. Logo eles, que recebem os maiores salários da República e são os arautos da moralidade.

É assim que vão descontruindo o Brasil com que sonhávamos e começamos a construir. Um país onde havia menos desigualdade social e que já havia afastado de sua agenda fantasmas históricos como a fome e a dívida externa; em que jovens passaram a ter acesso à educação e onde milhões haviam deixado a informalidade para ingressar no mercado de trabalho. Enquanto os pobres se espalham novamente pelas ruas e dormem nas praças, Temer e a aristocracia estatal distribuem milho aos pombos gordos de Brasília e de sua burocracia estatal. Lembro-me da música de Zé Geraldo!

*Gleisi Hoffmann é senadora e presidenta nacional do PT.

7 Comentários

Os comentários não representam a opinião do Blog do Esmael; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

  1. Quem essa a amante, que engana todo mundo, pensa que convence cim essa conversinha ridícula? Ela, uma pilantra, cercada de vagabundos, enrascada em todo tipo de trapaça acha que pode cobrar de um governo de 1 anos tudo aquilo que seu maldito partido, abarrotado de figuras abertas não fez em 13 anos.

  2. Chegou a hora de ajudar companheiros, acesse o link e contribua com a campanha Lula 2018, eu já fiz minha parte, faça a sua!
    https://www.vakinha.com.br/vaquinha/lula-presidente-ajuda-contra-o-golpe-oficial/contribua

  3. virou obrigação, o “o sujo falar do mal lavado, nesse país tbem!!!????

  4. Vergonha é um sem vergonha falar mal de outro.

  5. Temer não fez a mesma coisa que Dilma.

    Temer não possui o ex presidente LULADRAO devidamente instalado num andar inteiro do Hotel Tulip em Brasília, de onde distribuia ILEGITIMAMENTE dinheiro e cargos a quem se comprometesse a votar a favor de Dilma.

    Já fui eleitor de Lula, mas eu tive meus olhos abertos quando vi a LUZ da sabedoria: aprendi a ler e escrever.
    Tenho pena de meus conterrâneos nordestinos que ainda vivem na escuridão e vendem seus votos por bolsa familia.

  6. Temer está fazendo exatamente o que você Gleisi e o teu PT fizeram pra livrar a cara da Dilma, não deu certo pra vocês e espero que também não dê certo pro Temer, pois a escola onde vocês se formaram em FALCATRUAS é a mesma.

  7. A senadora disse muitas verdades e omitiu outras. Para começar, o Temer, sozinho, não aprova nada. Ele depende do poder legislativo, deputados e senadores, clube exclusivo do qual a senadora as parte. Portanto, ele deveria direcionar críticas mais duras aos seus pares, mas não faz, certamente por corporativismo e sobrevivência política.
    Afirma também que Temer não taxou grandes fortunas, altos lucros e diminuiu privilégios…estranho o PT não ter feito isto nos seus 13 anos. Estranho ela criticar e andar com o senador Requião, expoente desta casta a qual ele se refere, com seu super salário.
    No mais, aquele discurso demagógico do PT, se referindo aos pobres. Um governo como o do PT, que nada fez para melhorar o poder de compra do brasileiro, que nada fez contra os juros bancários, com os altos e sem retorno tributos, tem nenhuma moral para dar receitas. Tudo farinha do mesmo saco.

Deixe uma resposta

Preenchimento obrigatório *.