A contrarrevolução de Temer

Publicado em 17 julho, 2017
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Na última sexta-feira (14) eu disse num simpósio nacional de engenheiros, em Curitiba, que a revogação da Consolidação das Leis do Trabalho — a CLT — é comparável a uma contrarrevolução, liderada pelo governo golpista de Michel Temer (PMDB).

A contrarrevolução se caracteriza pela anulação de conquistas de determinado movimento revolucionário que impôs, outrora, nova ordem política, econômica e social.

No caso concreto, a CLT surgiu no ano de 1943 em decorrência da Revolução de 1930 liderada por Getúlio Vargas. Sua revogação 74 anos depois, portanto, significa uma volta ao início do século XX. Talvez uma impressionante marcha à ré de até 100 anos na História.

Temer encarna o político contrarrevolucionário porque é ele quem levou a cabo as reformas que retiram direitos dos trabalhadores. Foi o ilegítimo quem propôs a um ‘parlamento patronal’ – e depois sancionou — a reforma trabalhista que precariza a mão de obra a ponto de afirmarmos que foi criado no país a figura do “escravo autônomo”, a partir da aprovação do PLC 38/2017.

Nesse contexto de contrarrevolução operam, pari passu, o judiciário e a mídia.

Todas decisões do juiz Sérgio Moro, “coincidentemente”, ocorreram em momentos de maior relevância política no país.

Tomemos como exemplo a sentença que condena o ex-presidente Lula ao banimento das eleições de 2018. Ela foi anunciada ‘como se necessária fosse’ para abafar a repercussão da reforma trabalhista. Ou seja, o magistrado tem sido instrumento para distrair o distinto público enquanto o Brasil é saqueado e o povo aviltado pelos bancos e rentistas.

A contrarrevolução para extinguir o Estado Social em vigor com a Revolução de 1930 — e dar lugar ao Estado Neoliberal — promete avançar ainda mais sobre os trabalhadores e o povo, a medida em que Temer é “chantageado” pela mídia e pelo judiciário para deixar o cargo. (E mesmo assim ele quer mostrar serviço!).

Depois de congelar investimentos nas áreas sociais pelos próximos 20 anos, instituir a figura do trabalhador “escravo autônomo”, Temer e seus golpistas rumam agora para acabar com a aposentadoria de todos os brasileiros. Para minar as resistências, eles falam em “fatiar” a reforma da previdência.

Note o caríssimo leitor que Ministério Público e o Poder Judiciário se eximem da tarefa de defender a Constituição Cidadã de 1988, que positivou o Estado Social, como se eles nada tivessem a ver com isso.

Dito tudo isto, como se combate uma contrarrevolução e o atraso de 100 anos na sociedade? Ora, somente com uma nova revolução!

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