Por Esmael Morais

Tragédia anunciada: 4 mil PMs nesta terça para reprimir servidores em Curitiba

Publicado em 19/06/2017

Comando da PM Regional de Curitiba, a cargo do coronel Pericles de Mattos, contará com 4 mil homens autorizados pelo governador Beto Richa (PSDB) para garantir a votação do pacotaço do prefeito Rafael Greca (PMN), que tem oposição de 33 mil servidores municipais em greve desde segunda-feira (12).

No comando geral da operação de amanhã estará o coronel Arildo Luís Dias, o mesmo oficial que comandou o massacre de 213 professores e servidores públicos estaduais no dia 29 de abril.

O diabo é que na manifestação desta terça, ao lado dos grevistas, que lutam contra a retiradas de direitos, estarão o efetivo de 1,3 mil guardas municipais, profissionais esses também autorizados a utilizar armas de fogo.

A ordem do governo do estado para a PM é garantir a qualquer custo a sessão da Câmara de Vereadores, que votará a partir das 9 horas da manhã a retirada de direitos dos servidores.

Se já é sabido que a operação de amanhã será uma tragédia pior que a de 29 de abril, como pode o judiciário autorizar “interdito proibitório” e a votação escondida da população curitibana?

O cenário de guerra armado pelos governos Beto Richa e Rafael Greca é prova incontestável que eles, a PM e o judiciário não aprenderam nada com os erros de um passado recente.

E os vereadores, coitados, um só mandato. Eles também deveriam recordar do triste fim do ex-presidente João Claudio Derosso, que devotava fidelidade canina aos prefeitos de plantão…

Como pode uma corporação centenária como a PM se vê envolvida novamente nesta guerra política, que pertence ao mundo da política, em nome de ajustes nas contas públicas municipais que esfolam o funcionalismo?

Quanto ao desastroso coronel Arildo, é um conhecido “peixe” do deputado licenciado Valdir Rossoni (PSDB) – atual chefe da Casa Civil no governo do Paraná.

Acerca do pacotaço

Os sindicatos elencam 5 motivos para ser contra as medidas de Greca:

1. O saque que o prefeito pretende fazer na previdência é ilegal e coloca em risco a aposentadoria dos servidores municipais;

2. Parecer da Assessoria Jurídica da Câmara Municipal, do Tribunal de Contas e do Ministério da Fazenda condenaram o saque por ser inconstitucional;

3. O prefeito quer aprovar os projetos na base do tratoraço, sem debate com a população. Até o Ministério Público recomendou que o regime de urgência fosse retirado;

4. O pacotaço congela salários e planos de carreira dos servidores, enquanto contratos com suspeita de superfaturamento permanecem protegidos; e

5. Mexe no bolso da população mais pobre, mas mantém altos salários para mais 440 cargos comissionados.