Por Esmael Morais

Repita: ‘o combate à corrupção é um fetiche, o combate à corrupção é fetiche…’

Publicado em 05/06/2017

Evidentemente a corrupção que (des)graça o país há mais de 500 anos é real, concreta, mas daí fazer dessa a principal agenda de uma Nação é burrice que se cura diminuindo a porção de alfafa na dieta diária.

Ao magistrado eu falei que o mais importante para o país são a retomada do crescimento econômico, a geração de emprego, a prosperidade coletiva na forma de distribuição de riquezas, seja por bolsas compensatórias, seja por políticas públicas para redução das desigualdades sociais, induzindo a produção e o consumo.

Se partimos das diferenças para retomarmos a discussão de um projeto de Nação, não chegaremos a lugar algum, pois temos de entender que mais importante que corrupção é o emprego numa conjuntura – golpista – onde o desemprego de 14 milhões de trabalhadores é a “força motriz” para a acumulação capitalista.

Citei ao juiz o exemplo de alguns colegas de toga que percebem mais de R$ 300 mil/mês de salário, o que se configuraria numa imoralidade. No entanto, expus, o judiciário como um todo “ainda” não é alvo do seletivo sistema – por isso está passando batido.

Abstraindo a parte nefasta da corrupção, que em tese subtrai da saúde e da educação, portanto de todos, para a apropriação individual, privada, o combate à corrupção não passa de um fetiche de alguns procuradores, juízes e até jornalistas que se sentem “vingadores”. Essa é a parte mais romântica do jogo.

Entretanto, o dinheiro roubado na corrupção, que em tese seria da saúde e da educação, vai sempre parar nas mãos de banqueiros e rentistas que vivem como parasitas sem produzir um alfinete.

Dito isto, o combate à corrupção é fetiche porque fantasia lutar em favor do bem comum, quando, na verdade, luta para garantir que a banca financeira e os especuladores tenham acesso ao dinheirinho de todos. É ladrão roubando de ladrão, sem dó nem piedade.

Para corroborar a tese de que o combate à corrupção é um fetiche, basta o leitor recordar-se da PEC 55, aprovada pelos golpistas, que congelou os investimentos em saúde e educação pelos próximos 20 anos para garantir o pagamento de juros para os donos de banco e aos rentistas.

Agora mesmo, para ampliar a margem de segurança, de que seu capital especulativo será remunerado com a maior taxa de juro do mundo, busca-se ampliar a retira de direitos do povo com as reformas trabalhista (precarização da mão de obra) e previdenciária (fim das aposentadorias).

Para quem tem um cérebro maior que uma azeitona chegará à seguinte conclusão: mais eficaz que a prisão e a perseguição estatal (judicial) seria atacar os bens dos acusados, busca-los no quinto dos infernos, etc.

Mas o diabo é que essas operações policialescas-midiáticas têm como objetos a disputa pelo poder, pelo dinheiro; o combate à corrupção é apenas um fetiche para distrair o distinto público. Aliás, como não reparar que mais corrupto que os corruptos que estão nos holofotes senão a própria mídia, parcelas importantes do judiciário, da polícia?

Portanto, repita sem vergonha até amanhã de manhã: o combate à corrupção é um fetiche, o combate à corrupção é fetiche…