A oportunidade e a capacidade da classe trabalhadora

O deputado Enio Verri (PT-PR) afirma em sua coluna desta terça (18) que a pressão das ruas contra as duas propostas fez desaparecer mais de 270 parlamentares da base aliada do presidente Fora Temer. O colunista denuncia o conluio da velha mídia golpista contra os trabalhadores do Brasil.

A oportunidade e a capacidade da classe trabalhadora

Enio Verri*

As reformas da Previdência e trabalhista são, desde a provisoriedade do golpe, em maio de 2016, as pautas que mobilizaram a sociedade de uma forma geral. A pressão das ruas contra as duas propostas fez desaparecer mais de 270 parlamentares da base aliada do presidente Fora Temer. Um cisma de grande magnitude no núcleo do PMDB repercute na imprensa, enfraquecendo ainda mais a camarilha.

O sequestro da opinião pública por uma imprensa interessada no golpe não resistiu à indignação geral que perpassa trabalhadores do campo e da cidade, da educação e da segurança, do serviço público e do privado. Até a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil destacou sua posição ao lado dos mais de 80% da população brasileira que terão 50% a menos de um salário mínimo descontados de pensão por invalidez, ou morte.

A imprensa golpista não consegue esconder a realidade mostrada nas redes sociais. As mentiras são para vender um estado de calamidade contábil, a fim de justificar a privatização da Previdência e a extinção da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de um lado e, do outro, para vender a ideia de que quem recebe salário mínimo, ou menos, é o responsável pelo desequilíbrio na economia nacional.

Na política, o mais fascinante é a imprevisibilidade do futuro, já disse um sábio político. Para as centrais sindicais e os núcleos dos movimentos sociais, a atenção da população sobre a conjuntura é a oportunidade de organizar os trabalhadores em torno de demais direitos e recursos energéticos brasileiros suprimidos pelo grupo golpista.

Assim, o conjunto da sociedade perceberá que o fim das farmácias populares e do Ciência Sem Fronteiras, a redução do FIES e o fim de vários programas educacionais, científicos e sociais são, com todas as virtudes e problemas que possam ter, conquistas básicas que dizem respeito à toda a sociedade, assim como a Previdência e a CTL.

Essa tarefa vai depender muito da capacidade das centrais e movimentos sociais de acessarem as bases e articular com elas um diálogo que resulte em permanente mobilização. O grupo golpista tem uma tarefa a cumprir e produtos a entregar, não vai desistir se não sentir uma forte pressão das ruas.

No corpo social da classe trabalhadora há dezenas, senão centenas, de setores e segmentos profissionais das esferas pública e privada. Nesse sentido, o grupo que tomou o poder de assalto tem agido para dividir os trabalhadores e conquistar as privatizações prometidas pela sustentação ao golpe.

Temer e seu ministério de notáveis impostores prometerão tudo e mais um pouco à/ao parlamentar com coragem de deixar sua digital política no rastro de destruição e miséria de suas propostas. Ninguém do Executivo tem pretensão política eleitoral. Terminado o trabalho, os mentores vão desfrutar de suas fortunas e cuidar de seus negócios.

Já os deputados têm a missão de se reelegerem nos estados onde são corresponsáveis pelos arrochos nos trabalhadores, cujos direitos seculares, conquistados com suor e sangue de seus corpos, estão sendo suprimidos. Para essa/es parlamentares, a vida política se encerra. Não há dinheiro que garanta uma vida política perene e não há diretoria de estatal que dure sob um governo fadado a morrer, se muito, ainda este ano.

*Enio Verri é deputado federal e presidente estadual do PT do Paraná.

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