As lições de Rui Barbosa e do Papa Francisco

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O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), líder do governo na Assembleia Legislativa, mergulha em Rui Barbosa para buscar as raízes da endêmica corrupção no país; e aponta o desemprego gerado pela Lava Jato; feito o diagnóstico, o colunista invoca o Papa Francisco como solução aos males que assolam a nação brasileira.

As lições de Rui Barbosa e do Papa Francisco

Luiz Claudio Romanelli*

“A corrupção é o cupim da República”. Ulysses Guimaraes

“Todas as crises, portanto, que pelo Brasil estão passando, e que dia a dia sentimos crescer aceleradamente, a crise política, a crise econômica, a crise financeira, não vêm a ser mais do que sintomas, exteriorizações parciais, manifestações reveladoras de um estado mais profundo, uma suprema crise: a crise moral”. Escritas em 1913, as palavras de Rui Barbosa são mais atuais do que nunca.

As revelações da Lava Jato sobre os desvios em empresas públicas para financiamento de campanhas eleitorais comprovam uma deterioração dos valores éticos e morais talvez sem precedentes.

Propinas a funcionários, cartéis de empreiteiras, corrupção sistemática, conluio entre agentes públicos e políticos, ministros e governantes envolvidos em nebulosas transações praticadas impunemente há décadas.

Empresários sendo desmascarados por adulterar combustível ou por comprar a leniência de fiscais, ao estilo da Lei de Gerson, porque “o importante é levar vantagem em tudo, certo?”.

No Brasil de hoje falta educação, falta moral, falta ética, falta civilidade e respeito aos valores cristãos. O Brasil virou um vale tudo geral.

O brasileiro já não acredita que vale a pena ser honesto e decente. Ou como bem disse Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

Não há como voltar e corrigir os malfeitos de ontem, mas certamente que podemos começar a mudar o presente. É preciso manter a proibição do financiamento empresarial das campanhas, coibir e punir abusos econômicos e aprimorar a legislação sobre a propaganda eleitoral. Comprovados os crimes, que todos os políticos envolvidos sejam punidos com o rigor da lei. Porque, como disse a nossa Águia de Haia, “a Justiça, cega para um dos dois lados, já não é Justiça. Cumpre que enxergue por igual à direita e à esquerda”.

Em relação às empresas que firmaram acordos de leniência, permitir que voltem a contratar empréstimos e possam retomar suas atividades. Apenas a título de informação, reportagem recente do Valor Econômico revela que somente a Odebrecht demitiu 100 mil funcionários nesses três anos de Lava Jato. Esse número passa de 300 mil se contabilizados os cortes feitos por outros cinco grandes grupos citados na Operação Lava-Jato – Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Engevix, Queiroz Galvão e UTC. Já o setor de óleo e gás perdeu 440 mil empregos entre 2013 e 2016, diz a matéria do Valor.

O Brasil precisa voltar a acreditar no Brasil e reinventar-se. Pode parecer um paralelo inverossímil ou impossível, mas o Brasil precisa de uma guinada, tal e qual a renovação feita pelo Papa Francisco, na Igreja Católica.

Com sua simplicidade e ações firmes e diretas, o papa franciscano restaurou o respeito e a credibilidade da Igreja, cujo prestigio estava abalado devido aos escândalos de corrupção na cúpula do Vaticano e o acobertamento aos casos de pedofilia.

Em sua primeira exortação apostólica, “Evangelii Gaudium”, o papa defendeu uma profunda reforma da Igreja Católica para criar uma instituição mais missionária, acolhedora e misericordiosa, com atenção especial aos pobres. Condenou a desigualdade, a exclusão e a idolatria ao dinheiro.

O recado do Papa foi claro: A Igreja Católica, em seu Papado será uma Igreja compassiva, tolerante e acolhedora- como sempre deveria ter sido.

É certo que os ventos da mudança desagradaram cardeais e bispos mais conservadores, mas em compensação atraíram a atenção de todos os fiéis que estavam afastados da Igreja.

Em sua exortação apostólica inaugural, que pode ser traduzida como a linha mestra de seu papado, Francisco falou aos políticos: “Peço ao Senhor que nos conceda mais políticos que estão genuinamente preocupados com o estado da sociedade, as pessoas, as vidas dos pobres. É vital que os líderes de governos e líderes financeiros tomem cuidado de ampliar seus horizontes, trabalhando para garantir que todos os cidadãos tenham trabalho digno, educação e saúde.”

O mundo mudou, a Igreja Católica mudou, o Brasil está mudando. Aqueles que não entenderem que as mudanças estão aí e que não é possível mais repetir comportamentos e erros do passado serão varridos, sem cerimônia.

Ou, como diria Rui Barbosa, “mais cedo ou mais tarde, a nação vai rebelar-se contra a corrupção nos costumes políticos e a favor do direito de governar-se. Será a revolução contra os vícios desta época. Milhares de excluídos aí se acham para embocar os clarins da alvorada”.

Boa Semana! Paz e Bem!

*Luiz Claudio Romanelli (PSB) é líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná.

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