Por Esmael Morais

Repercute [mal] internacionalmente o ‘abuso de autoridade’ do juiz Sérgio Moro

Publicado em 23/03/2017

A BBC de Londres, por exemplo, destacou o Repórteres Sem fronteiras que considerou o fato um atentando à imprensa.

Na terça-feira (21), o titular da 13ª Vara Federal do Paraná expediu mandado de condução coercitiva alegando que o blogueiro vazou que o ex-presidente Lula e seus familiares seriam alvo de ação em março do ano passado.

“A condução coercitiva desse jornalista já é por si só um abuso, já que ele não havia sido convocado para depor nem se negado a fazê-lo”, disse à BBC Artur Romeu, coordenador de comunicação do Repórteres Sem Fronteiras.

Trata-se de uma “clara tentativa de quebra do sigilo da fonte” do blogueiro Eduardo Guimarães, do “Blog da Cidadania”, representa “um grave atentado à liberdade de imprensa e à Constituição brasileira, que garante esse direito”, afirmou a entidade cuja sede fica em Paris.

Além do Repórteres Sem Fronteiras, também se manifestaram contra o ‘abuso de autoridade’ do juiz Sérgio Moro a Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Grave: juiz Moro submeteu e obrigou blogueiro a revelar fontes. Não se combate a corrupção sem liberdade de imprensa”, criticou Edison Lanza, relator especial para Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA).

Não com menos vigor, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) igualmente protestam imediatamente à condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães. Ambas as entidades consideraram a ação da PF “censura” e “ataque à liberdade de expressão”.

A espetacularização midiática, bem como o autoritarismo da Lava Jato e da recente Operação Carne Fraca, que detonou milhares de empregos e o mercado de carnes brasileiras no exterior, deram combustível à reapresentação do projeto de abuso de autoridade no Senado.

O relator da matéria Roberto Requião (PMDB-PR) já protocolou na CCJ, nesta quarta-feira (22), voto favorável à punição de juízes e integrantes do Ministério Púbico.