Que papelão, PF!

O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná, em sua coluna desta segunda-feira (27), afirma não ter dúvidas de que, em virtude das trapalhadas, a operação da PF contra os exportadores de carnes deveria se chamar “Operação Papelão”. O colunista ainda questiona: “A quem interessa esse ataque e desmonte da indústria nacional, sob o mantra de combate a corrupção?”

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Operação papelão ou lesa-pátria

Luiz Claudio Romanelli*

“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade”. Albert Einstein

Só na primeira semana de embargo, já foram U$ 130 milhões de prejuízo. O Ministério da Agricultura calcula que perderemos U$ 1,5 bilhão por ano.
A União Europeia e mais 22 países anunciaram restrições à carne brasileira desde que a Polícia Federal realizou a Operação Carne Fraca, na sexta-feira (17). Hong Kong, além de suspender a compra, exigiu a retirada do produto do mercado local. Outros países como Japão, China e África do Sul suspenderam parcialmente as importações. Os países que possuem maior peso nas exportações de carnes do Brasil são China, União Europeia e Hong Kong,

As exportações de carne brasileira desabaram. Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) apontam que, antes da divulgação da Operação Carne Fraca, o valor médio diário de venda do alimento para o exterior era de US$ 63 milhões. Na terça-feira da semana passada, totalizaram US$ 74 mil, o que representa uma queda de 99,9%.

Frigoríficos foram fechados, funcionários começaram a ser demitidos. Somente em Colombo, onde fecharam dois frigoríficos, 280 funcionários perderam seus empregos. A BRF deu férias coletivas para 1,7 mil funcionários da unidade de produção de suínos da cidade de Toledo e suspendeu a produção em 33 de suas 36 unidades.

No Paraná, líder nacional na produção e exportação da carne de frango, terceiro maior criador de suínos do país e nono na produção de bovinos, as consequências podem ser desastrosas.

Tudo isso aconteceu no prazo de apenas uma semana, depois que a Policia Federal vendeu, com a colaboração e complacência da grande mídia, a versão de que os frigoríficos brasileiros lesam os consumidores e vendem ao mercado interno e ao mundo carne contaminada e estragada.

Segundo a desastrada coletiva conduzida pelo delegado federal, estamos comendo e exportando carne podre. Ele não apresentou um único laudo técnico comprovando suas acusações de que a carne vendida e exportada por 21 frigoríficos, sendo 19 do Paraná, é impropria para consumo. Note-se que ao todo o Brasil tem 4.894 plantas industriais no setor da carne. Já ficou comprovado que muitas das conclusões apresentadas à imprensa como “provas” da contaminação da carne são fruto de interpretação equivocada- como os embutidos com papelão e a adição na carne de ácido ascórbico, a popular vitamina C.

Foram tantas trapalhadas que a Operação, em vez de Carne Fraca, deveria se chamar Operação Papelão.

No espetáculo midiático armado, ficou claro que o delegado desviou-se do foco central da investigação, que era a corrupção de servidores públicos por empresas privadas para facilitar o trâmite burocrático, para sem base técnica, condenar a qualidade da carne e todo o sistema de inspeção sanitário brasileiro.

Obvio que há empresários desonestos e fiscais corruptos, que agem sob a proteção de políticos espertos, mas dai a condenar toda uma cadeia produtiva importantíssima para o pais, vai uma longa distância.

Houve um gravíssimo erro de comunicação da Policia Federal, com a participação e colaboração da imprensa- que comprou a versão do delegado sem questionamentos ou uma mínima checagem dos fatos.

O resultado dessa irresponsabilidade já esta sendo sentido, com mais desemprego, quebra brutal nas exportações e embargos comerciais. Um estrago brutal e sem precedentes. Um papelão internacional.

O Brasil tem que parar de dar tiro no pé. Nós já perdemos a indústria da engenharia pesada, a cadeia produtiva do óleo do gás praticamente não produz mais nada no país, e o Brasil está desestruturando a indústria de base. Nós estamos vivendo no país um estado policialesco, em que primeiro se acusa, se conduz coercitivamente, para depois provar algo. Hoje foi o setor da carne. Amanhã vai ser o soja. Depois são as cooperativas e tudo aquilo que produz e que é competitivo. A quem interessa esse ataque e desmonte da indústria nacional, sob o mantra de combate a corrupção?

Para quem se interessar, sugiro a leitura dos artigos “Papel da mídia no show da PF: quem paga a conta?”, do jornalista Ricardo Kotscho (clique aqui), “A Operação Carne Fraca e a mistificação do Brasil”, de Mauro Santayana. (Clique aqui) e Xadrez para entender a Operação Carne Fraca, de Luis Nassif (clique aqui).

E para coroar uma semana de desastres, ainda tivemos a aprovação da Lei da Terceirização, que vai precarizar ainda mais as relações de trabalho no país e sobre a qual escreverei na semana que vem – para não misturar alhos com bugalhos nem cansar a paciência dos leitores do blog.

Boa Semana! Paz e Bem!

*Luiz Claudio Romanelli é deputado pelo PSB do Paraná.

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