Prejuízo com a privatização da Sanepar pode chegar a R$ 4,3 bilhões

Em dezembro de 2016, o governador Beto Richa (PSDB) deixou-se fotografar na Bolsa de Valores de São Paulo – a Bovespa – ao dar início à oferta pública de ações primárias e secundárias da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná).

Pois bem, foram colocadas 184 milhões de ações a um preço unitário de R$ 9,5, o que resultaria em um montante de R$ 1,755 bilhão.

Segundo a cotação da Bovespa nesta quinta (2), cada ação da Sanepar vale R$ 13,85, o que representa a cifra de R$ 2,548 bilhões.

Em apenas 40 dias as ações deram prejuízos de R$ 800 milhões ao povo paranaense. (O governo do PSDB chama isto de “lucro”, mas para o mercado!)

Evidentemente, esse lucro de R$ 800 milhões com a comercialização foi para os sócios privados da estatal.

Repita-se: em pouco mais de um mês as ações da companhia de água e esgoto sofreram um ágio de 43%.

É bom frisar aos mais desavisados que as ações foram colocadas à venda pela migalha de R$ 9,5. Por óbvio, o excedente de cada ação pertence a privados, portanto não ao consumidor do serviço ou ao erário.

O diabo é que em abril virá novo tarifaço de 26% na conta de água. Essa maldade poderá elevar cada ação da Sanepar para até R$ 33. Se esta estimativa estiver correta, o prejuízo que Beto Richa dará aos cofres públicos chegará a R$ 4,3 bilhões.

Há cerca de outras 30 milhões de ações suplementares, que ainda poderão ir para o pregão da Bovespa.

Por trás dessas operações bilionárias com a Sanepar está o banco BTG Pactual, de André Esteves, que puxou um xilindró no final de 2015.

Além do Estado do Paraná, a Sanepar tem como sócios privados a empreiteira Andrade Gutierrez, o consórcio Dominó e o Fundo de Investimento Caixa.

Resumo da ópera: para as indústrias e consumidores residenciais da Sanepar o tarifaço de 26%, bem como a precarização dos serviços; para os rentistas e especuladores 250% — margem de lucro que nem o narcotráfico consegue.

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