Por Esmael Morais

Beto Richa submete professores à humilhação a 1 semana de aprovarem greve no PR

Publicado em 04/02/2017

Os mestres chegaram aos locais para pegar aulas extraordinárias às 8h da manhã desta sexta (3), mas lá pelas 2h da manhã deste sábado (4) era possível encontrá-los em longas filas, como ocorreu no Colégio Estadual de Educação Profissional do Paraná (CEEP), no bairro Boqueirão, em Curitiba.

A extenuante e humilhante jornada na redistribuição de aulas ocorreu a uma semana da assembleia geral da APP-Sindicato, no município de Maringá, no próximo dia 11, que deverá deflagrar greve da categoria por tempo indeterminado.

O caos e a humilhação, vistos ontem e hoje, se somam aos calotes e aos constantes massacres psicológicos e físicos que Beto Richa aplica nos professores e funcionários das 2,1 mil escolas da rede pública do estado.

Aliás, a APP sugere que a morte da professora Maria de Fátima Girelli, do Colégio Basílio Vicente de Castro, em Curitiba, ocorreu dia 1º de fevereiro em virtude do stress causado pela gestão arbitrária do governo do Paraná.

Abaixo, leia a reportagem do Brasil de Fato:

Uma e quarenta da manhã. Dos 300 professores de História que chegaram às oito da manhã de ontem para a redistribuição de aulas no Colégio Estadual de Educação Profissional do Paraná (CEEP), no Boqueirão, pelo menos 20 ainda aguardam atendimento. A cada hora são atendidos em média três professores.

Guilherme Nunes dá aula na rede pública há cinco anos e afirma que se sente desrespeitado pelo Estado. “Ainda tem onze na minha frente”, lamenta. Ele conta que durante o dia havia duas viaturas policiais estacionadas próximo à escola, mas que elas foram embora assim que começou a escurecer: “Logo quando mais precisava”.

Para a professora Thaysa Mara, que trabalha no Estado há onze anos, “esse processo sempre costuma demorar, mas não tanto assim”. Segundo ela, o atraso se deve aos cortes de direitos promovidos pelo governo estadual, principalmente a redução da hora-atividade. “Além disso, os professores excedentes foram passados para frente. Foi uma coisa discriminatória: nós, que somos concursados, começamos a ser atendidos depois das sete da noite. Eu ainda vou esperar mais uma hora”, completa.

Entre mães com crianças de colo, jovens e idosos que cochilam enquanto esperam o atendimento, Cleuza Maria tenta manter a serenidade. Doutora em Educação, ela chegou à escola há mais de dezoito horas, e nem sequer almoçou. “Dou aula na rede pública há 37 anos e nunca vi um absurdo desses”, critica. “É óbvio, diminuíram as aulas e virou esse tumulto”.

Paulo Afonso Souza Castro chegou às oito e meia e foi atendido à meia noite. “A gente imaginou que ia ter uma demora, que é de praxe. Mas houve uma falta de planejamento e de respeito do Estado. Não se pode expor seres humanos a essa situação humilhante, nem tratar a educação dessa maneira”, desabafa.

Além da disciplina de História, ocorre no CEEP a distribuição das aulas para os professores de Geografia, Filosofia e Sociologia.

A reportagem do Brasil de Fato também esteve na escola Yvone Pimentel, no Capão Raso, onde os professores não atendidos receberam senhas às onze da noite e voltaram para casa sem resolver sua situação. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Paraná (APP-Sindicato), uma educadora passou mal e precisou ser atendida pelo SAMU no início da noite.

Na última quarta-feira (1º), a professora Maria de Fátima Girelli sofreu um infarto e morreu enquanto aguardava uma definição para suas horas-aula, tamanho o estresse e a ansiedade causados pelo novo sistema de distribuição.