Richa afasta diretor negro por suposto apoio à ocupação de escola por estudantes no Paraná

lidio_richaO governador Beto Richa (PSDB) causou revolta na comunidade escolar do município de Piraquara, região metropolitana de Curitiba, ao afastar o diretor do Colégio Estadual Rosilda Souza Oliveira, Henrique Lidio, devido ao suposto apoio que ele deu à ocupação dos estudantes no mês de setembro. “Entristece-me ser impedido de exercer a atividade que escolhi para minha vida”, lamenta.

A vingança do tucano contra o diretor mobilizou uma rede de solidariedade formada por professores, alunos, pais e moradores da cidade.

Richa afastou liminarmente o diretor de forma arbitrária, sem direito a defesa prévia.

De acordo com informações colhidas pelo Blog do Esmael, o governo do estado determinou que a Secretaria de Estado de Educação (SEED) faça uma caçada às bruxas. Ou seja, outros professores já estão respondendo ou irão responder em breve a processos administrativos pelo mesmo motivo que o professor Lidio está respondendo.

Educadores vão pedir nesta semana um posicionamento firme da APP-Sindicato acerca dessa perseguição política desencadeada a partir de “delação premiada”, isto é, deduragem falsa, haja vista que o diretor do colégio de Piraquara afirma que em momento nenhum comandou a ação estudantil e, após a ocupação ser deflagrada, tomou todas as ações legais necessárias e agiu com todo cuidado, procurando superar o conflito e evitar atos de violência que pudessem colocar em risco a integridade dos estudantes.

O temor dos educadores paranaenses é que esse afastamento de Lido abra precedente para que Beto Richa a criminalize a participação política e persegue aqueles que se posicionam contra os interesses do poder hegemônico.

Se caso de Henrique Lidio não é perseguição política, o que então seria, racismo?

Nas redes sociais, a comunidade piraquarense usa as hasthags #VoltaHenrique #Sou+Rosilda e #NãoApoioInjustiça.

Em sentido amplo, a instabilidade causada pela criminalização também pode oportunizar ao grupo que perdeu a eleição dar “golpe” na democracia da escola, desrespeitando a escolha da comunidade nas 2,1 mil escolas da rede pública.

Abaixo, leia a íntegra da nota de esclarecimento do diretor:

NOTA
DIRETOR HENRIQUE LIDIO

Primeiramente gostaria de agradecer o apoio que tenho recebido de amigos, alunos, pais, professores e funcionários, solidarizando com essa situação que me foi imposta. Acho mais do que justo esclarecer a minha Comunidade o que está ocorrendo.

Nesta última segunda-feira (28/11) fui suspenso do meu cargo de Diretor Geral do Col. Est. Profª Rosilda de Souza Oliveira, por duas acusações feitas por dois professores e algumas pessoas da comunidade. Acusam-me de ter enviado aos pais um bilhete autorizando seus filhos a ocuparem a escola.

Pois bem, em momento algum tive envolvimento com essa situação. Fui informado pelos alunos no dia anterior a ocupação que tal movimento aconteceria.

Toda essa manifestação foi organizada pelos alunos que estavam contato com outras escolas já ocupadas e, como é sabido por todos, esse movimento se alastrou pelo Paraná inteiro, não sendo exclusivo de nosso Colégio.

Acusam-me, também, de dispensar os alunos na hora do intervalo em 22/09, data escolhida para a Mobilização Nacional dos Servidos Públicos. Nesse dia, 90% dos professores e funcionários optaram por realizar essas discussões que estavam ocorrendo em nível nacional.

Como deixar duas ou três turmas com aula e liberar 13 ou 14 turmas?

Sabemos das peculiaridades que envolvem nosso bairro. Temos alunos que vão para suas casas junto com outros colegas, temos aqueles que seus pais vêm buscar na saída das aulas e, além disso, temos o transporte escolar que não poderia levar os alunos em dois momentos. Procuramos tomar a decisão que minimizasse ao máximo essas dificuldades.

Irresponsabilidade seria deixar cerca de 400 alunos soltos pelo pátio da escola porque somente dois ou três professores gostariam de permanecer em sala.

Não estou discordando do direito que eles têm de ministrar suas aulas, mas como gestor preciso olhar para o macro e não para o micro, olhar para o todo e não para parte. Naquele momento era a situação mais acertada a se tomar. Tenho certeza que logo tudo isso se esclarecerá.

Nesses 8 (oito) meses de mandato já concretizamos cerca de 60% do nosso plano de gestão para 04 (quatro) anos.

Moro no Guarituba há 22 anos, há 12 anos sou professor no Colégio Rosilda e atualmente diretor geral deste estabelecimento de ensino ao qual fui aluno outrora.

Entristece-me ser impedido de exercer a atividade que escolhi para minha vida, não poder executar aquilo que planejei almejando o melhor para comunidade do Guarituba, que é uma escola que seja referência de ensino e qualidade na educação.

Comentários encerrados.