Por Esmael Morais

Prisão de policial que ‘sabe demais’ causa paúra no Palácio Iguaçu

Publicado em 30/11/2016

A prisão de Teles — um policial que sabe demais — deve-se às acusações de crimes de fraude à licitação, associação criminosa e falsidade ideológica no município de Foz do Iguaçu.

Telles já foi personagem no Blog do Esmael em março de 2015, portanto, há quase dois anos. Na época, ficou registrado que o fotógrafo Marcelo Tchello Caramori, o ex-assessor do governador Beto Richa (PSDB), também conhecido como “Taradão do Palácio Iguaçu”, entregou o policial que trabalha na fronteira com Paraguai e Argentina.

Até os quatis do Parque Nacional do Iguaçu sabem que Teles sempre foi o queridinho da família Beto Richa e atendia pessoalmente o governador e o lobista Luiz Abi Antoun nas incontáveis vezes que estavam em Foz. O policial civil tinha até uma viatura descaracterizada para passar para o lado do Paraguai e Argentina, sem ser incomodado pela fiscalização.

O medo do Palácio Iguaçu se justifica pelo interesse do GAECO em desvendar as intricadas relações do policial com delações pretéritas do fotógrafo ex-amigo de Richa. Além disso, o medo também é que o fio da Operação Publicano (corrupção na Receita Estadual) volte a ser puxado pela força-tarefa do Ministério Público do Paraná.

A Operação Publicano investiga o pagamento de propina a auditores da Receita Estadual do Paraná e sonegação de impostos por parte de empresários. O esquema teria causado prejuízo de R$ 1 bilhão aos cofres do governo do Paraná.

Em março deste ano, como desdobramento das investigações do GAECO, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu investigação sobre envolvimento do governador Beto Richa no esquema de corrupção da Receita Estadual.

O tucano é o primeiro governador da história do Paraná a ser investigado por corrupção no STJ.