Por Esmael Morais

O fim da política

Publicado em 13/11/2016

A política tem origem na Grécia Clássica (politikos) que designa a relação entre pessoas e grupos. A rigor, todos nós cidadãos nos relacionamos em casa, no trabalho, na escola, no condomínio, no restaurante, etc., enfim, fazemos política a toda hora mesmo quando não a percebemos enquanto tal.

O fim da política elegeu Donald Trump nos Estados Unidos mas, para compreender esse fenômeno, antes é fundamental fazermos um recorte para a Itália. Entre 1994 e 2011, os italianos pariram o direitista Silvio Berlusconi na esteira da Operação Mãos Limpas (Mani Pulite) — a Lava Jato do país da bota.

O ex-primeiro-ministro Berlusconi reunia o conservadorismo político e a depravação registrados em vários escândalos sexuais e de corrupção. Ele nasceu do asco com a política e a corrupção. Suas políticas atrasaram a Itália por mais de 30 anos, segundo todos os analistas sérios.

Dito isto, Trump não é fruto de Trump. Ele é uma espécie de Berlusconi, fruto da antipolítica a qual também acometeu o Brasil nas eleições municipais de 2016. Basta vermos que os eleitos fizeram um discurso contra a política e os partidos — embora todos eles sejam políticos e filiados a partidos políticos.

O fim da política é pura enganação. Revogá-la é algo parecido com aquele deputado do Paraná que pretendia apresentar um projeto de lei para revogar a “lei da gravidade”. Não apresentou porque um atento assessor o salvou a tempo do fiasco.

Portanto, a eleição de Trump não é o fim do mundo nem o fim da política. O diabo é que ele pode fazer escola com sua xenofobia, misoginia, machismo, racismo, etc. Já há candidatos no Brasil para ser o “Trump” tupiniquim, dentre os quais Jair Bolsonaro que se enxerga enquanto tal.