Por Esmael Morais

Benditas ocupações de escolas e universidades

Publicado em 08/11/2016

Benditas ocupações de escolas e universidades

Enio Verri*

Em um País que conviveu com desenvolvimento e justiça social durante os últimos 13 anos, agora, contorna-se a uma temorosa onda conservadora e de contradições. Contradições apoiadas em uma neoconservadorismo que, longe de pensar no desenvolvimento, baseia-se no fim do que é público, na desigualdade social e na deterioração dos direitos.

Incoerências que se manifestam pelo tratamento concedido aos secundaristas em estados governados por tucanos. Em entes federativos, como o Paraná, onde a população sofre para ser atendida pela Polícia Militar – devido a falta de condições de trabalho adequados – estudantes que reivindicam direitos são tratados como marginais.

Sofrem não apenas com a repreensão, ordenada pelo comando da Polícia Militar, mas também, com os atos violentos de integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) que aterrorizam e infringem garantias fundamentais da Constituição Federal. Agem como se fossem a Lei, o Judiciário e o órgão repressor.

O neoconservadorismo, acompanhado da restrição de direitos, da democracia e da liberdade, ascende-se sob o descontentamento com a política e uma série de armadilhas contra a população. E, não há dúvidas, que hoje é contra a classe mais baixas. Amanhã, será contra a classe média.

Se no Rio de Janeiro, o Governador que não consegue arcar com os salários dos servidores tenta abocanhar 30% da remuneração dos mesmos, no Paraná, outdoors, promovidas por entidades empresariais agradecem o MBL por “devolverem suas escolas aos nossos filhos”. Como se os filhos desses estudassem em escolas públicas ou se os mesmos estivessem preocupados com a qualidade no ensino público.

Contradições impostas por uma reduzida parcela da sociedade que esbraveja que a educação é o melhor caminho para um País de primeiro mundo, mas que nas redes sociais ataca educadores dos diferentes níveis de ensino com palavras de baixo calão e pejorativas contra educadores dos diferentes níveis de ensino.

Um ciclo crítico que se estende em meio a despolitização e descontentamento da população com a política. Despolitização que não só elegeu apolíticos e aventureiros, como ainda, legitimou normatizações como a PEC 241 e a entrega do Pré-Sal para o mercado internacional.

Ausência da população e de sua participação ativa nas decisões políticas que tende a reforçar as práticas personalistas de se fazer política e colocar em riscos a valorização do salário mínimo, aposentadoria, Prouni, Minha Casa Minha Vida, entre tantos outros benefícios.

Essencial, a participação é que move as mudanças e desenvolvimento de um País. É a voz manifestada por conselhos, voto, manifestação de rua, greve ou ocupação de escolas.

*Enio Verri é deputado federal, presidente do PT do Paraná e professor licenciado do departamento de Economia da Universidade Estadual do Paraná. Escreve nas terças sobre poder e socialismo.