Ser tucano é o céu no Paraná e São Paulo

enio_richaO deputado Enio Verri (PT-PR), em sua coluna desta terça (4), afirma que “ser tucano, no Brasil, é muito bom. No Paraná em São Paulo, então, é o céu”. Ele observa que o paranaense Beto Richa (PSDB), por exemplo, criminaliza o PT para esconder a corrupção em seu governo. Tudo com o conluio da imprensa, acusa o colunista.

Ser tucano é o céu no Paraná e São Paulo

Enio Verri*

Ser tucano, no Brasil, é muito bom. No Paraná em São Paulo, então, é o céu. Lugares onde a Justiça prescinde de provas para colocar qualquer opositor ou desafeto do PSDB na cadeia, e a parte rica da imprensa dá o salvo-conduto do silêncio para os emplumados agirem como bem quiserem.

Haja vista a demora do judiciário contra os PSDBistas e a camaradagem dos grandes meios de comunicação, como a entrevista do governador Beto Richa ao jornal Estadão”, na semana passada. Sem contestação de quem o entrevistou, Richa discorreu, à vontade, o seu ponto de vista sobre as conjunturas políticas nacional e regional.

O tucano se vitimiza pelo ajuste fiscal que foi obrigado a fazer, no início de 2015. Ora, quem e como governou o estado, até 2014? Quais os motivos e como foi feito o ajuste?

Seria necessário remeter aos anos 2011 (PL 95/11), 2012 (Lei 17.435/12) e 2013 (PL 726/13), para o leitor relembrar da escalada ao desmonte do Estado, realizado com muita truculência por Beto Richa, com a conveniente cegueira da imprensa rica do estado. Infelizmente, o espaço não permite e, portanto, fiquemos no referido ano de 2015, quando “o melhor estava por vir”.

Richa impôs à população um pacotaço tarifário, com reajustes de 40%, para o IPVA; de 12% para 18% do ICMS, em mais de 90 itens da cesta básica; de 36,8% e de 12,5% nas tarifas da Copel e Sanepar, respectivamente. Não satisfeito, usou balas de borracha, gás lacrimogênio, bombas de efeito moral, spray de pimenta e cassetetes para o Executivo poder deliberar sobre R$ 8,5 bilhões do fundo de previdência dos servidores públicos.

Nenhuma palavra do governador sobre a dívida de R$ 1,4 bilhão do estado, do sucateamento da segurança pública, com viaturas paradas por falta de gasolina ou quebradas; escolas fechadas ou não construídas e a Saúde entregue à iniciativa privada. Na verdade, o governador quebrou o estado. Quem afirmou foi o secretário da Fazenda, nomeado por ele, Mauro Ricardo Costa, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, em 08 de dezembro de 2014.

O paladino da administração criticou o inchaço da máquina pública, como um problema do Partido dos Trabalhadores (PT). Ele esqueceu de mencionar os cargos ocupados pelo irmão e pela esposa, José Richa e Fernanda Richa, cujo custo anual, somado ao do seu salário, chega a R$ 1 milhão. Em 2009, governo Requião, o governo gastou R$ 82 milhões com cargos comissionados. Em 2013, Richa, o custo foi de R$ 456 milhões.

O bastião das araucárias apontou a corrupção no PT como um dos motivos para a rejeição à legenda. Ninguém apoia a corrupção e toda pessoa corrupta deve ser banida da vida pública, seja ela eleita, concursada ou comissionada. Os membros do PT condenados por corrupção cumprem pena, estão presos. Aliás, devido ao consórcio formado por parte da Justiça, da PGR, da PF e da imprensa, construiu-se a crença de que o partido é o responsável pela criação da corrupção.

O governador não se lembra dos mais de R$ 750 milhões desviados da Receita Estadual do Paraná, descobertos pela Operação Publicano, na qual estão envolvidos o ex-inspetor-geral, Márcio Albuquerque Lima. Richa também não disse nada sobre o R$ 1,5 milhão desviado do Departamento Estadual de Transporte Oficial, cujo operador do esquema, segundo a acusação, foi o seu primo-empresário, Luiz Abi Antoun.

Para refrescar a memória do governador, não é demais lembrar da Operação Quadro Negro, cujo rombo na Secretaria de Educação foi de R$ 20 milhões, originalmente destinados para construção e reformas das escolas. As obras não foram executadas.

Ao longo da entrevista, Richa mostrou-se resignado com a sua impopularidade e a de seu governo, que beiram os 90%. Por que será? Do alto dos seus cerca de 10% de aceitação, Richa tenta a todo o custo criminalizar o PT para apagar a imagem de seu desgoverno.

*Enio Verri é deputado federal, presidente do PT do Paraná e professor licenciado do departamento de Economia da Universidade Estadual do Paraná. Escreve nas terças sobre poder e socialismo.

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