Por Esmael Morais

Novo calote de Richa em professores ameaça eleição de aliados no 2º turno

Publicado em 03/10/2016

Nesta segunda-feira (3), um dia após a primeira etapa eleitoral, o tucano enviou mensagem à Assembleia Legislativa para que a “Bancada do Camburão” revogue a lei 18.493, de 24 de junho de 2015, que determina o governo estadual pague no dia 1º de janeiro de 2017 a inflação acumulada no ano de 2016, mais 1º relativo a perdas de 2015; além de pagar no dia 1º de maio o reajuste referente à inflação dos quatro primeiros meses de 2017.

Mais esse calote de Richa, que atinge educadores e demais servidores públicos, deverá refletir nas candidaturas de aliados que lutam para vencer o 2º turno em Curitiba, Maringá, e Ponta Grossa. Os municípios de Londrina e Cascavel já resolveram a eleição no primeiro turno.

Na capital, o nome apoiado pelo governador é Rafael Greca (PMN), que tenta voltar à Prefeitura depois de 20 anos; em Maringá, o candidato oficial do Palácio Iguaçu é Silvio Barros II (PP); e em Ponta Grossa, Marcelo Rangel (PPS).

O secretário de Imprensa da APP-Sindicato, Luiz Fernando Rodrigues, afirmou que esse calote deverá deflagrar nova greve no magistério paranaense. “Passou a eleição [1º turno] e aí está o projeto que acaba com a data-base dos servidores. Cheiro de greve”, postou nas redes sociais.

O deputado Requião Filho (PMDB), líder da Oposição na Assembleia, disse que o calote foi caso pensado, friamente calculado.

“O governador esperou terminar as eleições municipais, quando apoiou publicamente alguns candidatos, para então enviar à Assembleia Legislativa a proposta que prejudica o funcionalismo, mostrando a grave falha de caráter que tem o governador Beto Richa”, afirmou o peemedebista em artigo de opinião.

Leia a íntegra do artigo de Requião Filho:

Beto Richa rasga acordo e oficializa calote aos servidores

Requião Filho*

O governador Beto Richa cumpriu nesta segunda-feira (3), da maneira mais desumana possível, a ameaça de calote que vinha fazendo desde junho aos professores e servidores públicos do Paraná. Um dia depois das eleições municipais, ele enviou à Assembleia Legislativa uma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que oficializa o calote, suspendendo o pagamento dos reajustes do funcionalismo previstos para 2017.

Se o calote for aprovado, os pagamentos previstos no acordo feito entre servidores e governo no ano passado, que encerrou a greve dos professores que durou mais de 40 dias, não serão realizados e os trabalhadores, mais uma vez, vão pagar a conta pela incompetência e péssima gestão financeira que o tucano faz no Paraná.

A lei 18.493, de 24 de junho de 2015, que o Poder Executivo quer revogar, determina que o governo estadual pague no dia 1º de janeiro de 2017 a inflação acumulada no ano de 2016, mais 1º relativo a perdas de 2015; além de pagar no dia 1º de maio o reajuste referente à inflação dos quatro primeiros meses de 2017.

Ao rasgar o acordo feito com o funcionalismo, Richa mostra mais uma vez que não é do seu feitio cumprir compromissos, principalmente se estes forem com o funcionalismo. Depois de massacrar os professores, educadores e demais servidores em praça pública, manchando de sangue o Centro Cívico, o governador agora propõe o calote contra as categorias, ao mesmo tempo que o governo registra aumento na arrecadação por conta dos aumentos dos impostos.

É importante destacar que este calote foi caso pensado, friamente calculado. O governador esperou terminar as eleições municipais, quando apoiou publicamente alguns candidatos, para então enviar à Assembleia Legislativa a proposta que prejudica o funcionalismo, mostrando a grave falha de caráter que tem o governador Beto Richa.

É fundamental que todos os servidores públicos do Paraná se manifestem imediatamente contra o governo autoritário e matreiro de Beto Richa, que promove medidas que desrespeitam e punem severamente os servidores.

*Requião Filho é deputado estadual e líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná.