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Beto Richa mantém calote em educadores e servidores; greves podem continuar no PR

richa_greve_servidoresOs professores da educação básica e do ensino superior, bem como os servidores públicos em greve há 11 dias no Paraná, decidem na próxima segunda-feira, dia 31, se voltam ou não ao trabalho num quadro de “intransigência” do governador Beto Richa (PSDB) que mantém a ideia-fixa do calote na data-base.

As categorias realizam assembleias para decidir as táticas de luta e de enfrentamento ao tucano, que, porém, admite destinar R$ 1,4 bilhão do orçamento de 2017 visando honrar parte do compromisso com o funcionalismo, suficiente somente para pagar ou a reposição da inflação deste ano ou os avanços e progressões em atraso.

“Nós reabrimos a negociação com o governo, mas nós não vamos aceitar ou ‘uma coisa’ ou ‘outra coisa’. Queremos receber os nossos direitos previstos em lei”, garante Luiz Fernando Rodrigues, diretor de comunicação da APP-Sindicato, ao adiantar que haverá três propostas na assembleia dos educadores de segunda: 1- manter a greve; 2- suspender a greve; e 3- estabelecer um data-limite para solucionar o impasse sob pena de retomar a greve.

Instado pelo Blog do Esmael a fazer um prognóstico do resultado do encontro de segunda-feira, Luiz Fernando não arriscou um palpite. Limitou-se a dizer que a assembleia é soberana. “Não dá para arriscar um palpite, pois o sentimento de revolta é grande na categoria. A assembleia é soberana, é quem decide, mas, no quadro de continuidade do calote, a greve não acaba, poderá ser suspensa e para retornar em breve — mais forte ainda”.

Segundo a APP-Sindicato, o governo fechou o ano passado com superávit de R$ 1,9 bilhão sendo que R$ 1,6 bilhão entrou do caixa via poupança previdenciária, ou seja, os servidores públicos é que bancaram a saúde financeira do estado.

Para este ano, ainda de acordo com o sindicato do magistério, o governo trabalha com aumento de 3,5% na receita do ano de 2017. No entanto, estudos do Dieese apontam com crescimento de 6 a 8% na receita. “O governo é pessimista para justificar a calote”, cutuca o dirigente da APP.

Conforme cálculos da APP-sindicato, R$ 1,4 bilhão bancariam até o final de 2017 os avanços e progressões em atraso, já previstos no orçamento. Entretanto, a disputa é pelo bolo adicional de R$ 1,9 bilhão — o quanto custaria o cumprimento da data-base.

O diabo é que o governador Beto Richa tem outros planos para esse superávit previsto para 2017, dentre os quais fazer uma espécie de “socialismo” com o dinheiro alheio, isto é, fazer a distribuição de R$ 1 milhão para 300 prefeitos de olho na eleição do Senado em 2018. Também a prioridade do tucano seria realizar obras pelos próximos dois anos com impacto no eleitorado.

Para o Palácio Iguaçu, salário de professor e servidor público não dá voto.

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