STF confirma caráter político-partidário da Lava Jato ao transformar em réus Gleisi e PB

gleisi_moro_doriaEm 8 de maio deste ano, Dia das Mães, o Blog do Esmael anotou que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) era alvo de perseguição mais pelo que “é” do que “fez” cujo processo lembra o estado nazista de Hitler. Nesta terça (27), o Supremo confirmou essa tese ao acolher denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ela e seu marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo.

Nunca é demais recordar que Bernardo também foi preso para gerar o volume de manchetes negativas contra o PT e garantir o impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff no Senado. O contexto dessa perseguição sem fim, embora em ações diferentes, teve até operação cinematográfica com direito a filmagem exclusiva da Globo (sempre ela!).

Pois bem, nas vésperas das eleições municipais novamente o Judiciário age politicamente ao transformar Gleisi e PB réus na Lava Jato. O objetivo, não se pode pensar diferente, é influir no resultado das urnas num momento em que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), avança rumo ao segundo turno. Se chegar lá, bingo!, será reeleito.

Gleisi, ingênua, acredita que ela será investigada pelo que “fez” e não pelo que “é” e “representa” na resistência ao golpe de Estado. Em nota, diz a senadora: “Agora, pelo menos terei, no julgamento do STF, o benefício da dúvida. Estou ciente de que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar com profundidade o que foi apresentado nos autos, saberá julgar com serenidade, imparcialidade e isenção esse processo.”

A criminalização do PT chegou ao limite do constrangimento para o judiciário. Até o santo anda desconfiadíssimo pela quantidade de “gente ruim” num único partido político — frise-se “único” partido deste país.

Dois ex-ministro da Fazenda — Guido Mantega e Antonio Palocci — foram presos no lapso de uma semana também na boca de urna contra o PT.

Ora, por que não se faz essas operações midiáticas depois das eleições. Porque a ideia é mesmo extirpar essa “raça” de petistas do cenário político nacional antes que chegue 2018.

O STF confirmou hoje a Lava Jato como um partido político sem registro oficial no TSE. Mas, formalmente, o juiz Sérgio Moro e a maioria dos ministros da Corte Máxima já fazem coligação com o PiG (Partido da Imprensa Golpista).

Pensando bem, os magistrados poderiam trocar o pronome de tratamento para “boqueiros” (de boca de urna, é claro!).

Abaixo, leia a íntegra da nota de Gleisi Hoffmann sobre a decisão do STF:

NOTA DA SENADORA GLEISI HOFFMANN
SOBRE A DECISÃO DA 2ª TURMA DO STF

Embora nutra respeito pela Justiça de nosso País, é com profunda tristeza que recebo a decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de acatar a denúncia formulada contra mim e meu marido pela Procuradoria Geral da República.

Em seu voto, o ministro relator Teori Zavascki concluiu dizendo que não dá para ter certeza de que os fatos ocorreram, mas que nesse momento basta uma dúvida razoável para aceitar a denúncia. Agora, pelo menos terei, no julgamento do STF, o benefício da dúvida. Estou ciente de que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar com profundidade o que foi apresentado nos autos, saberá julgar com serenidade, imparcialidade e isenção esse processo. Tais requisitos faltaram em outras instâncias. Por isso, vejo a decisão desta terça-feira como uma nova oportunidade de provar, sem sombra de dúvidas, a nossa inocência.

Desde o início desse lamentável episódio, quando injustamente fomos indiciados pela Polícia Federal, insistimos à exaustão que não há uma única prova concreta que aponte o recebimento de recursos ilícitos para minha campanha ao Senado, em 2010.

Como o meu advogado Rodrigo Mudrovitsch voltou a enfatizar hoje da tribuna do STF, a denúncia da PGR se baseia unicamente em questionáveis delações do doleiro Alberto Yousseff, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do sócio do doleiro, Antonio Carlos Pieruccini. Em sua delação, essa pessoa disse que transportou a suposta propina para minha campanha, em dinheiro, de São Paulo para Curitiba, em quatro viagens. Ele afirmou ainda que entregou a quantia para o empresário Ernesto Kugler, que sempre negou o fato.

Se Pieruccini esteve realmente quatro vezes com o empresário, por que a Polícia Federal não obteve provas físicas desses encontros? A bem da verdade, a denúncia sequer aponta qualquer ato concreto cometido. Baseia-se apenas em especulações que não são compatíveis com o que se espera de uma acusação penal.

São inúmeras as contradições nos depoimentos dos delatores que embasam a denúncia, as quais tiram toda a credibilidade das supostas delações. Um deles apresentou, nada mais, nada menos, do que seis versões diferentes para esses fatos, o que comprova ainda mais que eles não existiram. Tenho certeza que a verdade prevalecerá.

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