Fiat persegue trabalhadores no Paraná, denuncia ‘Rede Mundial’ à Organização Internacional do Trabalho

fiat_praticas_antissindicaisA Organização Internacional do Trabalho (OIT), com sede Genebra, na Suíça, analisa desde o ano passado o o dossiê “Fiat-Brasil”. Trata-se de fartos documentos denunciando práticas antissindicais na planta de Campo Largo, região metropolitana de Curitiba.

Abaixo, leia reportagem de Pedro Carrano, sobre o caso da perseguição aos trabalhadores, na Brasil de Fato:

Fiat comete práticas antissindicais em Campo Largo (PR)

Perseguição a sindicalizados são marcas dessa e de outras montadoras

Pedro Carrano, da Brasil de Fato

Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, abriga uma unidade de montagem de motores da transnacional Fiat, cuja matriz fica nos EUA e na Itália. Motores 1.6 e 1.8 são fornecidos dali para a planta de Betim, em Minas Gerais. Desde a sua instalação, em 2011, metalúrgicos denunciam práticas abusivas da gestão da empresa.

À época, logo que foi comprada a antiga unidade da empresa Trytec, 25% dos trabalhadores são substituídos, metade deles sindicalizados. Hoje, quem se aproxima do sindicato é perseguido, dizem os dirigentes sindicais. Esta prática é denunciada em outras montadoras, caso da Nyssan, instalada em São José dos Pinhais (veja abaixo).

“A Fiat demite pessoas ligadas ao sindicato”, acusa Adriano Carlesso, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Montadoras de Veículos, Chassis e Motores de Campo Largo (Sindimovec). “Aproximou-se do sindicato, está na rua”, complementa. Ameaças a antigos funcionários e perseguições também são relatadas. O sindicato entrou então com ação no Ministério Público e ação civil pública de atos antissindicais da Fiat.

Produtividade contesta o argumento da crise econômica

Em 2015, com o argumento da crise econômica de vendas do setor automotivo, a transnacional ofereceu reajuste de salário abaixo da inflação, embora a produtividade tenha aumentado. De acordo com o sindicato, passou de 190 mil para 250 mil motores naquele ano.

A negociação durou então 300 dias. O sindicato chegou a criar o chamado “negociômetro”, denunciando a direção empresarial. A empresa chegou a fazer assembleia com os trabalhadores para definir sua proposta, sem a presença do sindicato, que não podia sequer entrar na unidade.

Prática da empresa geral discórdia em Campo Largo

A entidade sindical moveu processo contra a Fiat por ato antissindical, para que a empresa concedesse o direito à entrada no interior da planta. Os diretores sindicais afirmam que a pressão da transnacional é maior do que na gestão anterior. “Os atos antissindicais vieram com a Fiat”, critica Sergio Domingos, diretor do Sindimovec.

“A empresa trouxe sentimento de discórdia para a cidade, quebrou círculo de amizade de anos. Obrigados a conviver com a ameaça inclusive de abandono da cidade”, afirma Domingos, reforçando a tentativa de audiência pública que houve por duas vezes em Campo Largo. Mas a Fiat não enviou representantes. A prefeitura local, de acordo com as denúncias, também não apresenta soluções para o conflito.

Pauta nacional e luta mundial

A prática antissindical não é novidade entre as montadoras, no Brasil e no mundo. Um dos casos mais conhecidos hoje é o da Nissan Motor Corporation, presidida pelo brasileiro Carlos Ghosn. Patrocinadora dos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a montadora enfrentou protestos contrários, de Curitiba, a São Paulo até o Rio de Janeiro. Ela é denunciada por obstruir a sindicalização de trabalhadores de sua fábrica de automóveis no estado do Mississipi, nos EUA, e também nas unidades em São José dos Pinhais, no Paraná, e em São Paulo.

Articulação mundial dos trabalhadores da Fiat

Adriano Carlesso, presidente do Sindimovec, reforça que a Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM) está em articulação com os trabalhadores da Rede Fiat Mundial. O Sindimovec remeteu também o dossiê “Fiat-Brasil” para a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2015.

11 Comentários

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  1. Já não temos governo com caráter e assim beto lixo ,só se segue um estilo tipo picareta pilantra golpista,já não se vivem como tempos atras VOLTA REQUIÃO.

  2. Nassif assertou tudo.

    O gatão grisalho era o coordenador.

    Leia o 247.

  3. ”Trouxinhas politizados” sempre se prevalecendo de suas trapaças imbecis a exemplo do ex presidente Sarney quando flagrado na escuta que envolvia seu nome alem de Rennan e Juca aproveitando que Lula tambem foi citado a fim de associa los em sua tramas golpistas alegando que o PT estaria rachado por divergências democráticas que caracterizam o partido.

  4. Punir quem pensa e questiona e impor a cartilha do fascismo neo liberal na indústria pro plano recessivo escravocrata apoiado pela pec 241.Quem a peazada pensa que e pra se politizar?

  5. Vai acabar a contribuição sindical em breve.
    Veremos como vão sobreviver mais de 15.000 sindicatos parasitas que vivem as custas do povo trabalhador brasileiro.

    • Maria B, vai lá pedir uma teta no MBL…

      Vaza fascista”

    • Enquanto isso tem sindicato, lutando ferrenhamente, para animar faltas de manifestacoes, que fase hein, bons tempos que se lutava por salário é melhores condições de trabalho. Hoje direitos e leis não valem nada CADÊ os Sindicatos com S maiúsculo e as centrais sindicais.

      • Enquanto isso tem sindicato, lutando ferrenhamente, para abonar faltas de manifestacoes, que fase hein, bons tempos que se lutava por salário é melhores condições de trabalho. Hoje direitos e leis não valem nada CADÊ os Sindicatos com S maiúsculo e as centrais sindicais.