Sucesso dos Jogos Olímpicos graças aos governos de Lula e Dilma

Romanelli_14biO deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), líder do governo na Assembleia do Paraná, em sua coluna desta segunda (8), diz que o Brasil conseguiu superar a síndrome dos vira-latas ao realizar os Jogos Olímpicos. Além de debater o legado, o colunista também reverbera a vaia que o interino Michel Temer (PMDB) levou na cerimônia de abertura da competição. Abaixo, leia, ouça, comente e compartilhe a íntegra do texto:

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As Olimpíadas e a síndrome dos vira-latas

Luiz Claudio Romanelli*

“No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, se quiserem acreditar, vaia-se até mulher nua” (Nelson Rodrigues).

“Mais rápido, mais alto, mais forte”. O lema olímpico, em latim Citius, Altius, Fortius, está mais vivo do que nunca. A cerimônia de abertura das Olimpíadas 2016 foi bonita, bem organizada, emocionante, contrariando os que acreditam que vivemos numa República de Bananas e não conseguiríamos organizar um evento desse porte, com sucesso. Pois a festa foi um show de alegria e contagiou todos os que participaram e assistiram no mundo inteiro pela televisão.

Lembrei-me do dia 2 de outubro de 2009, em Copenhague, quando o Comitê Olímpico escolheu o Rio para sediar os Jogos 2016, vencendo as fortes concorrentes Tóquio, Chicago e Madri.

Recordei as palavras do presidente Lula naquela ocasião: “Hoje o Brasil saiu do patamar de país de segunda classe e entrou no patamar de país de primeira classe… “O Brasil provou ao mundo que nós
conquistamos cidadania internacional absoluta”… “Acho que o Brasil merece. Aqueles que pensam que o Brasil não tem condições vão se surpreender. Os mesmos que pensavam que nós não tínhamos condições de
governar esse país vão se surpreender com a capacidade do país de fazer uma Olimpíada”.

Lamento que o ex-presidente Lula não estivesse no Maracanã para assistir à belíssima cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos e confirmar a veracidade de suas palavras no já longínquo 2009. Também
lamentei que a presidente Dilma não estivesse lá, para formalmente abrir as Olimpíadas, como chefe da Nação. Afinal, foi graças ao esforço de ambos como governantes que o Brasil recebe pela primeira
vez uma Olimpíada, a primeira na América Latina.

Muita coisa mudou no Brasil de 2009 para o de 2016. “Entre o discurso de 2009 e a realidade de 2016, há um país em que a conciliação do inconciliável já não é possível nem como construção identitária”,
analisa a escritora e jornalista Eliane Brum, no excelente artigo “O Brasil chega à Olimpíada sem cara” publicado pelo El País Brasil. Vale a leitura!

A despeito dos que sempre preferem ver o copo meio vazio e que apostavam que a festa de abertura e as próprias Olimpíadas no Brasil seriam um vexame de proporções épicas, foi emocionante a alegria popular, a empolgação dos atletas e a criatividade do espetáculo.

Desde jovem, sempre acompanhei as Olimpíadas. É um momento de reafirmar a cidadania e a crença na força da superação, no valor do esforço individual e do coletivo, em que os atletas exibem o melhor de si com orgulho de representar seus países. O espírito olímpico é o espírito da civilização e da democracia. Todos participam em condições de igualdade. E que vença o melhor.

Em 1972, menino ainda, acompanhei as vitórias de Mark Spitz na natação, com seus 7 ouros olímpicos nos jogos de Munique, manchado pelo atentado terrorista organizado pelo Setembro Negro que deixou um
saldo de 11 atletas israelenses mortos.

Em 76, em Montreal e em 80, em Moscou, vibrei com as conquistas do bronze do brasileiro João do Pulo, no salto triplo e com as medalhas da ginasta romena Nádia Comaneci.

Em 84, em Los Angeles, as vitórias memoráveis de Joaquim Cruz, ouro nos 800 m e as medalhas de prata das seleções masculinas de vôlei e futebol.

Em 88, em Seul, de novo a conquista de Joaquim Cruz, desta vez prata e da seleção de futebol, prata também.

Nos anos 90 e 2000, acompanhei a ascensão dos nossos judocas, velejadores, das seleções de vôlei de quadra e areia, dos atletas da natação e atletismo. Enfim, como cada brasileiro vibrei com as medalhas conquistadas por nossos atletas e com as grandes exibições de atletas e equipes de outros países.

Assisti os atletas Gustavo Kuerten e Hortência conduzirem a chama olímpica até Vanderlei Cordeiro de Lima, que acendeu a pira olímpica da Rio-2016, vi o desfile dos atletas das 207 delegações representadas e o belo show dirigido por Fernando Meirelles, Andrucha Waddington, Daniela Thomas e Rosa Magalhães, com produção executiva de Abel Gomes.

A coreógrafa Deborah Colker fez um trabalho excepcional. Paulinho da Viola cantando o Hino Nacional Brasileiro e o 14 Bis voando no Maracanã foram momentos especiais da festa. Inteligente a mensagem
sobre a preocupação com o aquecimento global e inovadora a ideia de fazer a floresta dos atletas.

Lindas todas as exibições dos cantores e bailarinos, especialmente a bela interpretação de Gil, Caetano e Anitta da música Isso Aqui o Que é ( Sandália de Prata) de Ary Barroso e o show das escolas de samba do Rio.

Queriam ou não, o Rio de Janeiro ficará com um belo legado após as Olimpíadas, especialmente no setor de infraestrutura. Os cariocas ganharam um centro revitalizado. A Região Portuária foi totalmente
renovada. O Museu do Amanhã já está em funcionamento. Foram 5 milhões de m² recuperados. Houve investimentos pesados no transporte público, a revitalização dos arredores do Maracanã e a construção de uma estação de tratamento de esgoto em Deodoro, entre outros.

A candidatura previa 17 projetos de legado e foram entregues 27. Como legado, após os jogos a Arena do Futuro dará lugar a 4 escolas municipais, com 2 andares e 16 salas de aulas para 500 alunos cada
uma. O Parque Olímpico que vai sediar 16 modalidades olímpicas após os Jogos será transformado em um amplo complexo esportivo e educacional destinado a estudantes da rede municipal e atletas de alto rendimento.

A população também se beneficia com novos 200 km de BRT (Transporte Rápido por Ônibus), VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e metrô, áreas de lazer, como o parque Madureira e o parque Radical de Deodoro, obras de saneamento e urbanização da zona oeste; reservatórios para combater alagamentos históricos da zona norte, como frisou o prefeito Eduardo Paes – que aliás a história ainda fará justiça, pois sem a determinação e coragem que teve, não teríamos conseguido realizar os jogos -, em artigo recente, defendendo os investimentos realizados.

A Vila Olímpica, onde estão alojados os atletas, será ocupada futuramente pela população do Rio, assim como foi feito em Londres.

São 31 edifícios, com 3604 apartamentos. A vila foi incluída na parceria público privada que viabilizou grande parte do Parque Olímpico e não contou com aporte de verbas públicas.

Os custos para a realização dos Jogos do Rio foram de R$ 39 bilhões –60% dos quais bancados pela iniciativa privada. Foram R$ 7 bilhões para a construção de arenas e projetos necessários para receber o evento, R$ 24,6 bilhões de obras de legado para a população e os R$ 7,4 bilhões injetados pelo Comitê Rio 2016, recursos também da iniciativa privada.

Apenas para comparar, a China gastou US$ 43 bilhões o equivalente a mais de R$ 141 bilhões, para sediar as Olimpíadas de Pequim, em 2008.

Além de número recorde de delegações olímpicas, a participaçãobrasileira também é histórica. São 462 atletas, 253 homens e 209 mulheres participando das competições.

Como disse Lula em 2009: “finalmente o mundo reconheceu: é a hora e a vez do Brasil. Esse país precisa ter uma chance. Não é possível que esse país não tenha, no século 21, a chance que não tivemos no século 20”.

P.S- Michel Temer bem que tentou tornar-se invisível. Pela primeira vez numa Olimpíada, o mandatário do país sede dos Jogos não foi nominado. Mas a estratégia para poupar o presidente interino das vaias
não funcionou. Bastou fazer o anúncio formal da abertura das Olimpíadas para explodirem as vaias. Boa Semana. Paz e Bem.

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PSB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre Poder e Governo.

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