Milton Alves: Comunicação sindical para enfrentar uma conjuntura de riscos

milton_alves_centraisO ativista social Milton Alves, em artigo especial, analisa a conturbada conjuntura política, que, segundo ele, indica um ciclo de novos riscos e desafios para os trabalhadores e o movimento sindical. Além da agenda anti-trabalhista no Congresso e da crise econômica, com recessão e desemprego em massa, afetando a vida de milhões de trabalhadores, salienta o articulista, um novo e potencial risco se articula para estrangular os sindicatos: os monstros da “judicialização” e da “Lavatização”. Milton diz que “é hora de abrir novos caminhos para a comunicação a serviço dos trabalhadores”. Abaixo, leia a íntegra do artigo:

Comunicação sindical para enfrentar uma conjuntura de riscos

Milton Alves*

Trata-se da crescente e indevida interferência do Poder Judiciário na estrutura sindical. Um risco potencializado pelo clima estimulado pela chamada Operação Lava Jato em curso no país.

Financiamento sindical na mira

Um dos alvos de ações de setores do Judiciário é o custeio da atividade sindical, que foi objeto de deliberação nesta quarta-feira (6) na Câmara dos Deputados, depois de três meses de discussões, por uma comissão especial, que aprovou a manutenção da contribuição sindical e definiu um teto para a taxa negocial.

A aprovação de regras sobre o custeio sindical não vai parar a ofensiva antissindical, nas discussões da própria comissão deputados vinculados aos interesses patronais alegavam a “falta de controle e transparência” nos recursos geridos pelas centrais e sindicatos. A mesma tecla batida pela imprensa patronal que atira diuturnamente no financiamento sindical e na legislação protetiva contida na CLT. A cantilena fornece a base para a narrativa do chamado “Custo Brasil”. Ou seja, um discurso com forte componente político e antissindical.

Ofensiva patronal e tentativas de criminalização

Ao mesmo tempo, todo um arsenal jurídico opera no sentido de limitar a ação sindical, criminalizando o direito de greve via o nefasto instrumento do interdito proibitório, uma “jabuticaba” inventada nos fornidos escritórios da Avenida Paulista.

Além disso, uma campanha sistemática e insidiosa de setores conservadores segue atacando os movimentos dos trabalhadores, desconstruindo e deslegitimando as organizações sindicais, com mil e uma falsas justificativas e ameaças, como as perseguições judiciais, multas e repressão policial aberta como foi no caso da greve dos professores no Paraná.

Investir em redes de comunicação inovadoras

Para enfrentar a atual onda conservadora, o desmonte da legislação trabalhista, um governo golpista e antitrabalhador é necessário avançar em formas alternativas de comunicação sindical, rompendo o círculo de ferro midiático do cartel de famílias, que controla as cadeias de TV, jornais, emissoras de rádios e portais na internet em todo o país. Uma luta de sentido estratégico em defesa de uma sociedade mais democrática e de opinião pluralista.

Uma comunicação mais eficaz para os novos tempos, que incorpore o manejo das novas mídias e dos meios eletrônicos de forma integrada e horizontal, criando redes coletivas de participação digital a partir das bases dos sindicatos, com conteúdos interativos e linguagens adequadas para atingir as camadas mais jovens de trabalhadores, que não vivenciaram grandes jornadas sindicais de lutas como nos anos 80 e 90 e olham com desconfiança para a atividade sindical.

Uma comunicação ao mesmo tempo de combate e denuncia, que faça a disputa pelo coração e mentes dos trabalhadores, avançando na direção de uma rede coletiva de blogues classistas e de um portal nacional unificado. Ou seja, é possível construir uma rede de informações para produzir um serviço noticioso de qualidade, furando o bloqueio da mídia tradicional – e para ampliar a ressonância da voz das centrais, federações e sindicatos.

Uma comunicação a serviço do fortalecimento do movimento sindical e de sua organização, atendendo as demandas dos trabalhadores no cotidiano do “chão da fábrica’. Uma comunicação ágil, transparente sobre as atividades das diretorias sindicais – da gestão sindical, uma via para autorregulação e democratização das estruturas sindicais.

A esquerda no Brasil, nos anos 70 e 80, viveu a experiência da imprensa alternativa e forjou veículos como os jornais “Movimento”, “Opinião e “Pasquim”, entre outros, praticando um jornalismo de qualidade, que cumpriu papel importante na luta contra a ditadura e abriu espaço para a emergência da luta dos trabalhadores.

É hora de abrir novos caminhos para a comunicação a serviço dos trabalhadores. Com a palavra, o movimento sindical.

*Milton Alves é ativista social e consultor sindical em Curitiba. Ele é autor do blog www.miltonalves.com.

6 Comentários

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  5. “Ativista” sindical???? Da onde isso galera??? Esse aí é lambe saco do Lula mesmo, esse cidadão assim como a grande maioria dos sindicalistas da CUT, são membros de siglas partidárias (não que todo cidadão não tenha o direito constitucional de fazer parte de um partido ou outro) da esquerda e procuram sempre colocar o patrão como o grande vilão, como o explorador, o monstro que suga o sangue do pobre assalariado. Queria ver estes tais “ativistas” trabalhando para sobreviver, sujando as mãos no chão das fábricas, será que um mala desses aguenta uma jornada de 8h diárias de trabalho???? Duvido!!!

  6. Juro que eu ia ler o texto todo apesar dele começar apresentando o cidadão aí como “ativista” mas como pessoa que busco formar opinião lendo os mais diversos tipos de posições me despi do preconceito e continuei. Quando cheguei na “lavatização” teve jeito não………. definitivamente não tenho mais preconceito não, é conceito mesmo!