Jorge Bernardi: República de Curitiba aguarda Eduardo Cunha de braços abertos

jorge_cunhaO vereador curitibano Jorge Bernardi (REDE), em sua coluna deste sábado (16), informa que já organiza a comissão de recepção ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois da cassação na Câmara, na República de Curitiba, na cadeia da capital paranaense. Abaixo, leia, ouça, comente e compartilhe a íntegra do texto:

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Curitiba espera pelo deputado Eduardo Cunha

Jorge Bernardi*

Agora é definitivo. O outrora todo poderoso presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, vai a julgamento por seus pares, em agosto, e poderá ter seu mandato de deputado federal cassado. Depois do resultado da última manobra do deputado na Comissão de Legislação e Justiça, onde o recurso foi rejeitado por 48 votos a 12, seu destino está selado.

Havendo perda do mandato e, consequentemente perda do foro privilegiado, a cadeia em Curitiba é o destino de Cunha. Ele sofreu derrota também ao tentar eleger seu sucesso na presidência da Câmara. A força que demonstrou até aqui começou a fraquejar e de agora em diante poucos aliados e cúmplices permanecerão ao seu lado.

Eduardo Cunha pagará o preço sozinho ou vai denunciar seus comparsas? Confirmando-se a cassação espera-se por sua delação o que deverá desmoronar ainda mais as bases da velha política brasileira. Não ficará pedra sobre pedra, dizem alguns.

A pergunta que fica é até onde Cunha vai chegar? Quantos políticos foram beneficiados pelo seu esquema? Fará delação seletiva ou falará toda a verdade?

Poucos esperam dele o silêncio de outros próceres da Lava Jato como os ex-deputados José Dirceu e André Vargas que até o momento mantem-se irredutíveis em não revelar os nomes de colegas que foram beneficiados pelo esquema de corrupção.

As delações premiadas da Lava Jato estão fazendo escola em outras ações contra o crime organizado. A Operação Pecúlio, aqui no Paraná, prendeu o Prefeito de Foz do Iguaçu, Reni Pereira. Antes de ser afastado do cargo, empreiteiros já haviam confirmado que tinham dado propina ao alcaide da fronteira no valor de R$ 5 milhões. Também seus auxiliares confirmaram que havia corrupção na administração municipal.

Aliás, o ex-prefeito de Foz do Iguaçu Paulo Mac Donald Ghisi também foi conduzido recentemente coercitivamente para prestar declarações sobre irregularidades na licitação do transporte coletivo, durante sua gestão. O Gaeco denuncia fraude na licitação e cobra do ex-prefeito cerca de 40 milhões de reais.

Todas estas operações contra o crime organizado não poderiam ocorrer num tempo melhor do que este, ou seja, quando se aproxima a Olimpíada. O mundo precisa saber que o Brasil está mudando e está tendo esta oportunidade extraordinária de se tornar uma nação de primeiro mundo. No futuro próximo se espera que a corrupção seja exceção, e não a regra como tem sido aqui nos últimos cinco séculos.

*Jorge Bernardi, vereador de Curitiba (REDE), é advogado e jornalista. Mestre e doutorando em gestão urbana, ele escreve aos sábados no Blog do Esmael.

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