‘Fruet abandonou o usuário para ficar do lado da máfia do transporte’, diz colunista

fruet_transporte_meirinhoO advogado Bruno Meirinho (PSol), em sua coluna desta sexta (1º), dispara contra a omissão do prefeito Gustavo Fruet (PDT) diante da ação da “quadrilha do transporte” que, segundo o colunista, “segue ilesa em Curitiba”.

Para Meirinho, o chefe do executivo municipal abandonou o usuário para ficar do lado da máfia do transporte. “Nenhuma reação, à exceção dos esforços para que a população ande mais de bicicleta. Somos reféns do cartel? Vamos andar de bici!”, ironiza o articulista, que pergunta qual a relação entre essa quadrilha e a Prefeitura de Curitiba. Abaixo, leia, comente e compartilhe a íntegra do texto:

Fruet ignora e a quadrilha do transporte segue ilesa em Curitiba

Bruno Meirinho*

Em 2013, primeiro ano do mandato de Gustavo Fruet, os vereadores instalaram uma CPI para investigar irregularidades no transporte coletivo de Curitiba. O discurso da mudança que veio com a eleição do novo prefeito (embora oriundo da mesma turma do prefeito anterior) convenceu muita gente de que se as investigações chegassem a alguma conclusão, a prefeitura poderia finalmente enfrentar o cartel do transporte coletivo.

A situação é mais ou menos assim: todo mundo sabe que a licitação do transporte coletivo em Curitiba foi uma grande falcatrua dominada por um grupo de famílias que controlam as empresas de ônibus há mais de 40 anos, mas, para que não pareça uma acusação sem provas, é sempre melhor investigar. Instalada a investigação da CPI do Transporte, os vereadores chegaram exatamente nessa conclusão. Aliás, o relatório da CPI apontou que uma única família, Gulin, controla 70% dos consórcios de transporte na cidade.

Concluídos os trabalhos da CPI, uma recomendação muito objetiva foi feita à prefeitura: é preciso refazer a licitação do transporte coletivo da cidade.

Silêncio total na prefeitura. Nenhuma reação, à exceção dos esforços para que a população ande mais de bicicleta. Somos reféns do cartel? Vamos andar de bici!

Nesse mesmo período, o Tribunal de Contas do Estado realizou uma investigação nos contratos do transporte coletivo e apontou um punhado de irregularidades. Deu à prefeitura a faca e o queijo para encaminhar questionamentos jurídicos fortes contra a licitação do transporte coletivo. Nas ruas, uma multidão reivindicava novidades de toda a classe política. Junho de 2013 fervia.

Fruet ignorou mais uma vez.

Um relatório detalhado foi elaborado por um grupo de sindicatos apontando diversos pontos que permitiriam anular os contratos feitos com o cartel dos ônibus. A sociedade ainda parecia estar convencida de que o prefeito da “mudança segura” poderia tomar alguma atitude contra esse mal que consome tantas cidades brasileiras, o esquema do transporte coletivo.

Com tantos sinais, ninguém mais tem dúvidas do lado que Gustavo Fruet escolheu nessa parada.

Mas o bicho ainda pode pegar, principalmente depois de uma investigação feita há mais de 200 km da capital que concluiu que havia uma fraude em contratos firmados entre a prefeitura daquele município e empresas do transporte coletivo. A mesma fraude foi identificada no Distrito Federal há alguns meses atrás. E o que há em comum entre essas fraudes e o cartel do transporte em Curitiba?

Os mesmos empresários – família Gulin – as mesmas empresas e os mesmos advogados, especialmente Sacha Reck, que chegou a prestar consultoria para prefeituras que, depois, contrataram por meio de licitação empresas controladas ou assessoradas por ele.

Mera coincidência, diria Fruet.

*Bruno Meirinho é advogado, foi candidato a prefeito de Curitiba. É o coordenador local da Fundação Lauro Campos, instituição de formação política do PSOL. Ele escreve no Blog do Esmael às sextas-feiras sobre “Luta e Esperança”.

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