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Eleição pós-acordão pode agravar crise na Câmara; “mudança” para ficar como está

cunha_temer_maranhaoA primeira derrota do interino Michel Temer (PMDB) na Câmara, na noite de quarta (6), acelerou a marcha dos acontecimentos, que culminou ontem (7) com a renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à uma presidência que ele já não tinha há dois meses. Uma das exigências do ex-presidente para o acordão é a realização de nova eleição, que acontecerá na quinta (14). É aí que a porca torce o rabo.

Há uma pluralidade de candidatos ao cargo de Cunha, alguns descendentes diretos e outros indiretos que se manifestam num tal “Centrão”. Outros nem tanto, do PSDB e DEM, que acreditam que o ex-presidente da Câmara “prestou um serviço ao país” ao conduzir o impeachment, logo é possível um perdão.

O acordão do Palácio do Planalto agora é para salvar o mandato de Cunha, custe o que custar. Temer não vive sem Cunha e vice-versa. Como se diz nas redes sociais, “Temer é Cunha e carne com a corrupção”. Um é sinônimo doutro, portanto.

O Blog do Esmael conversou com um deputado da tropa de choque de Cunha. Ele afirma, sob a condição do anonimato, que o ex-presidente ainda tem força na Câmara, que vetará candidatos do governo e que o governo poderá ter mais de um candidato. Ou seja, Temer poderá colocar um pé em cada canoa na eleição de quinta.

Hoje, a situação é a seguinte: se Temer apoiar o Centrão (grupo que reúne entre 260 e 270 parlamentares de 13 partidos conservadores) corre o risco de perder o PSDB e DEM, que, neste contexto, pode angariar o apoio de PT, PCdoB, PDT, REDE, dentre outros contrários ao golpe. Eis o quadro dificílimo para o Planalto.

O diabo é que se discute a “mudança” no Poder Legislativo, mas a agenda entreguista continua a mesma. Ontem mesmo, enquanto Cunha chorava na renúncia, a Câmara aprovava a abertura do pré-sal aos estrangeiros. Ou seja, está em curso uma mudança leopardiana: “tudo deve mudar para que tudo fique como está”.

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