Após ilação do MP, Requião orienta aliados a lutarem pela CPI da Receita Estadual

joao_arrudaO senador Roberto Requião (PMDB) orientou nesta terça (5) que aliados retomem a luta pela instalação da CPI para investigar propinas na Receita Estadual. A decisão do peemedebista, em intensificar a coleta de assinaturas na Assembleia, ocorre após ter o seu nome citado na delação do fiscal Luiz Antônio de Souza.

Em áudio distribuído à imprensa, o deputado federal João Arruda, secretário-geral do PMDB no Paraná, reafirmou que PMDB quer a investigação da Receita. “Que o ministério Público, que a Assembleia Legislativa, e lá, nós do PMDB, os deputados estaduais, assinaram requerimento que pede a CPI da Receita. Nós queremos que mostrem, o quanto antes, os verdadeiros ladrões da Receita Estadual do Paraná.”

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Arruda acusou o delator de ser do esquema do governador Beto Richa (PSDB) e que o fiscal estaria agindo por vingança “por que o Richa não deixava ele nem ninguém roubar”.

“O Souza, fiscal da Receita, ladrão da Receita, preso por corrupção, que se submetia ao senhor Márcio Albuquerque, que era copiloto do governador Beto Richa, que é primo do senhor Luiz Abi, chefe da quadrilha, que achacava e pedia propina para empresários. Dinheiro comprovado no aluguel comitê eleitoral do senhor Beto Richa, candidato à reeleição”, disparou João Arruda.

Para o secretário-geral do PMDB, o ex-secretário da Fazenda, Heron Arzua, e o ex-governador Requião são pessoas que têm uma conduta exemplar na vida pública, que agem com transparência e que não têm o que temer. “Por isso, nós queremos a CPI da Receita na Assembleia”, recomendou.

O governo Beto Richa é investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) justamente por corrupção e propina na Receita Estadual. De acordo com procuradores do próprio do Gaeco, o braço policial do Ministério Público, o erário teve R$ 1 bilhão de prejuízo durante o tucanato. Parte desse dinheiro, ainda segundo investigações, teria irrigado a campanha de reeleição de Richa.

Já o senador Requião acusou membros do MP de fazerem molecagens ao envolver seu nome. Ele defendeu uma legislação mais dura para que os procuradores não façam ilações criminosas.

O parlamentar deverá utilizar a tribuna do Senado para denunciar integrantes do Ministério Público do Paraná que, segundo ele, é criminoso ao envolvê-lo em falcatrua.

“Isto se deve ao fato de eu denunciar seus recebimentos irregulares [dos procuradores], sem lei? Devolver o que recebem sem lei, por exemplo cadeia”, fulminou Requião.

Indignado, o senador desabafou nas redes sociais: “Vocês imaginem a indignação de um homem correto quando um moleque, concursado Ministério Público, faz impunemente ilações absurdas e públicas a seu respeito. O procurador que divulgou acusações contra mim se pôs no meu lugar de governador e imaginou o que ele próprio faria se governador fosse”.

Requião ainda comentou sobre sua pressão arterial: “Minha pressão foi a 19 com a notícia da canalhice do absurdo vazamento do MP do Paraná a meu respeito. Lei precisa punir estes moleques”, contou, mas horas depois tranquilizou os seguidores dele pelo Twitter: “Baixei minha pressão com medicamentos pesados. Sobrevivo.”

Há quem relacione os repentinos ataques a Requião a pesquisas de opinião do Ibope sobre a corrida eleitoral em Curitiba, onde o deputado Requião Filho (PMDB) concorre à Prefeitura. O instituto está em campo desde sábado (2) e deverá encerrar a sondagem na tarde desta terça (5).

A manobra para tirar Requião do combate também pode ter a participação efetiva do Palácio do Planalto, haja vista o senador encabeçar o movimento suprapartidário para remover o interino Michel Temer (PMDB) em nome do garantismo constitucional.

A tática dos ladrões é puxar todos para a lama, desacreditar as possíveis vozes destoantes do status quo e, consequentemente, assegurar que tudo continue como dantes afastando pessoas sérias da vida política do estado e do país.

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