Uma política de herdeiros no Paraná e no Brasil

meirinho_arruda_requiao_filhoO advogado Bruno Meirinho (PSol-PR), em sua coluna de hoje (3), critica a política como herança no Paraná. Ele afirma que há perpetuação das mesmas famílias no poder local. O colunista destaca que o mesmo fenômeno se repete no Congresso Nacional, ou seja, os atuais parlamentares “são filhos, netos ou sobrinhos de outros políticos”. “Por isso houve tantos votos dedicados às famílias na sessão de votação do impeachment”, ironiza. Ainda no cenário do estado, Meirinho enaltece a origem popular do PMDB, mas faz ressalva sobre os primos Requião Filho e João Arruda, que, segundo o colunista, “certamente foram eleitos sob o prestígio de Roberto Requião, já que eles, pessoalmente, não demonstram grandes talentos”. Leia, comente e compartilhe a íntegra do texto abaixo:

Uma política de herdeiros

Bruno Meirinho*

Há 30 anos atrás, em 1986, o governador do Paraná tinha o sobrenome Richa, o prefeito de Curitiba era Fruet e um dos candidatos a prefeito da cidade era Requião. A mesma exata combinação se repete neste ano de 2016. Nos anos 80 eram José Richa, Maurício Fruet e Roberto Requião, hoje são Beto Richa, Gustavo Fruet e Requião Filho.

A métrica, que chega a ser poética, da repetição das famílias no poder do Paraná, pode ser encontrada também em outros estados, onde normalmente encontramos famílias que se perpetuam no poder há décadas, muitas vezes há séculos.

No Congresso Nacional o mecanismo também pode ser notado. Uma pesquisa da Universidade de Brasília, divulgada pelo Congresso em Foco (clique aqui) revela que metade dos deputados federais eleitos tem vínculo familiar direto com políticos em exercício ou ex-políticos. Em outras palavras, são filhos, netos ou sobrinhos de outros políticos.

Certamente por isso houve tantos votos dedicados às famílias na sessão de votação do impeachment.

O exemplo que utilizei nesse artigo tem alguma ironia, já que mencionei três políticos do PMDB cujos sobrenomes se perpetuaram durante pelo menos 3 décadas, sendo que esse partido pode ter sido, no nosso cenário local e na década de 80, uma das mais relevantes expressões políticas de caráter popular e democrático, com lideranças que não tinham origem nas elites tradicionais, com exceção de Roberto Requião, que é filho de outro ex-prefeito de Curitiba, Wallace de Melo e Silva.

Outro detalhe interessante é que, embora oriundos do PMDB, os herdeiros políticos de Richa e Fruet caminharam para o PSDB.

O livro do professor Ricardo Costa de Oliveira, “O Silêncio dos Vencedores”, retrata com mais detalhes o domínio familiar na política paranaense, encontrando vínculos de poder e família que ultrapassam o século.

Embora o Paraná não seja uma exceção nessa lógica da política como um negócio de família, por aqui a prática é mais acintosa do que costume e do que recomenda o bom senso. Por exemplo, já no ano de 1987, Álvaro Dias foi eleito governador do Paraná, e a partir de meados dos anos 90, exerceu ao lado do irmão, Osmar Dias, a função de senador. Talvez o único caso de um estado que tenha mantido por tanto tempo dois irmãos como senadores, para o exercício concomitante dos mandatos.

Perguntado a respeito de sua condição de herdeiro, o deputado Requião Filho tem se defendido afirmando que há muitos casos de maus agentes públicos que não possuem nenhum vínculo familiar, como os burocratas que dominam atualmente a URBS (empresa de economia mista que controla o transporte coletivo em Curitiba). Com isso, ele espera demonstrar que o que importa são as propostas, e a origem familiar não poderia ser um motivo desabonador.

Na realidade, os vínculos familiares não têm sido um motivo desabonador na política local, pelo contrário. Requião Filho e seu primo João Arruda, por exemplo, certamente foram eleitos sob o prestígio de Roberto Requião, já que eles, pessoalmente, não demonstram grandes talentos. No mesmo sentido, o trio Ricardo Barros, Maria Vitória e Cida Borghetti valem-se de seus vínculos familiares para se consolidar no poder.

A perpetuação de famílias na política deveria sim ser rechaçada pela opinião pública. Quando a representação da sociedade se torna um assunto de família, subverte-se a República, e os assuntos que deveriam ser públicos confundem-se de maneira perigosa com assuntos privados. A rigor, quando política e família se misturam dessa maneira, o resultado é de fragilidade das instituições, falta de criatividade e comodismo, que já são alguns dos males que vivemos em nosso estado.

16 Comentários

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  1. temos uma camera de deputados bem variável temos um senado quase particular um STT bem modesto junta tudo vemos uma grande variação de LIXO + LIXO. o que falta e honestidade caráter e competência ,agricultura familiar e empresas administrada por família são as melhores entre o mundo.meirinho um futuro um caminho fraco e carente de competência,Requião pai e filho seja no passado ou no presente são muito competente ,richa do passado muito competente ,richa do presente lixo ,fruit do passado muito competente ,fruit do presente lixo ,meirinho deve sentir-se fraco sem muita competência,lembra do passado mas ????,porque ele não elogia beto lixo e sua corja.

  2. Ser parente não e crime !
    A verdade é uma só devemos escolher os sérios íntegros
    parem de discursos equivocados retoricas da mídia frases feitas .

  3. Ser parente não e crime !
    Ser um jovem que vive ao lado de um pescador pode levar este jovem a ser um pescador ,o mesmo acontece em tantas outras profissões , os filhos podem sim
    seguir qual o problema ? A verdade é uma só devemos escolher os sérios íntegros
    parem de discursos equivocados retoricas da mídia frases feitas .

  4. Eu diria que não é fenômeno somente no Estado do Paraná, mas eu diria em todo o País, os clãs dominam a séculos. Se olharmos a política mundial é dominada pelas mesmas famílias à séculos. E não é somente no Poder Legislativo, eu diria que o mesmo ocorre, no Poder Executivo, Judiciário e Ministério Público.

  5. o povo do paraná tem que parar de eleger essa gente, agora até outro sobrinho do requião vai querer sair candidato a vereador, chega das famílias barros, richa , dias, requião, fruet,acioli,carli,brandão, anibeli,cury ,lupion bueno,etc etc.

  6. É verdade que muitos dos “herdeiros” nos decepcionam todos os dias, mas Maurício Requião tem demonstrado bastante competência em administrar grandes problemas e bastante habilidade em defender as causas a que ele se dedica. É claro que muitas dessas qualidades se devem ao exemplo que tem dentro de casa. É por isso que devemos olhar de qual árvore veio o fruto, e isso não se aplica somente aos herdeiros, mas a todos os polícos que pensamos em eleger.

  7. Realmente….precisamos oxigenar a política e não perpetuar essas famílias por gerações e gerações….totalmente correto, Bruno Meirinho!!!

  8. Isso é uma baita hipocrisia, falam de democracia e se comportam como ela não existisse, seria como ser rico e pobre, em nosso país você pode ser os dois, basta ter legalidade para ambos comportamento, se você não trabalha fica pobre e se você trabalha você fica rico. Então quanto a sucessões e eleições, só reclama quem está fora, e que entra não quer sair, a questão é o povo escolhe e há as condições de concorrer e muito mais hoje em dia, com a abertura e acesso as redes sociais, quem faz esse tipo de comentário, e aqui somos isentos e não temos procuração para defender ninguém e sim falar dos fatos, qual o mal do filho que segue a carreira do pai ou de amigos, meu pai é médico quero ser médico, meu pai é político quero ser político e assim segue a vida, vemos uma imensa postura do livro REVOLUÇÃO DO BICHOS.

  9. Nem tudo está perdido, uma vez na vida esse imbecil escreveu algo que se aproveita!!! O povo de bem que trabalha e gera desenvolvimento e renda, deve acabar com esta política hereditária, precisamos acabar com estes coronéis da política, acabar com as eleições de gente feito Requião, Richa, Barros, Anibeli, Curi, Carli e tantos outros pais, filhos, netos e bis netos de políticos coronéis.

  10. No caso do Requião Filho, discordo da opinião do nobre colunista, ele tem demonstrado através de sua atuação justamente que tem capacidade de defender o seu ponto de vista de maneira muito bem fundamentada por sinal.

    • Veja a incoerência, “precisamos acabar com a eleição de políticos de carteirinha, mas menos o Requião filho, pois ele é… blá blá blá”.

      Vão se catar seus arigós, os outros não devem se eleger, mas o candidato do MEU partido pode porque ele é diferente. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Diferente em que??? Qual a PROFISSÃO deste cidadão???? O que ele fez de bom para o Brasil ou para o Paraná até hoje??? Não passa de mais um sangue suga profissional em política que segue os passos do pai.

      • Tire a sua viseira de burro, não analise o aspecto político sob a ótica genética sua anta de Olho Vivo, analise sob o aspecto comportamental, mas já vi que tu não tem coragem nem de colocar o nome, então não tem moral para emitir opinião!

    • Concordo com voce João…

  11. A maioria destes políticos e pelo bem da nação não deveriam se procriar!